Em Cuiabá, fisioterapia pélvica auxilia crianças com impactos da mielomeningocele
JB News
Por Redação
O Agosto Laranja, mês de conscientização sobre a mielomeningocele e a espinha bífida, coloca em evidência os desafios enfrentados por crianças e famílias que convivem com a condição. Além das limitações motoras, a mielomeningocele pode provocar alterações no funcionamento da bexiga e do intestino, tornando o acompanhamento multidisciplinar importante para o desenvolvimento e a qualidade de vida dos pacientes.
Em Mato Grosso, um estudo epidemiológico baseado em dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc/Datasus) identificou 96 registros de espinha bífida entre 2013 e 2023. No período analisado, a taxa registrada no Estado foi de 15,33 casos para cada 100 mil nascimentos.
A mielomeningocele é uma malformação congênita provocada pelo fechamento inadequado do tubo neural durante a formação do bebê. A gravidade e as consequências variam conforme o nível da lesão, mas entre os problemas que podem acompanhar o paciente estão alterações neurológicas, motoras, urinárias e intestinais.
Em Cuiabá, a fisioterapia pélvica infantil é uma das áreas que podem integrar o acompanhamento dessas crianças. Na Uropelv, clínica especializada em saúde pélvica, localizada no bairro Jardim Cuiabá, a fisioterapeuta e proprietária Karla Mercedes explica que o trabalho é direcionado às necessidades de cada paciente e pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia.
“Quando falamos em mielomeningocele, é importante entender que o cuidado não termina depois do diagnóstico ou da cirurgia. Essas crianças podem apresentar alterações urinárias e intestinais que precisam ser acompanhadas ao longo do desenvolvimento. A fisioterapia pélvica entra como parte desse cuidado, ajudando a criança a desenvolver mais autonomia e qualidade de vida”, afirma Karla.
Entre as complicações mais comuns está a chamada bexiga neurogênica, alteração provocada pelo comprometimento dos nervos responsáveis pelo funcionamento da bexiga. Também podem ocorrer dificuldades relacionadas ao controle intestinal.
A fisioterapia pélvica pode atuar no treinamento e na percepção da musculatura do assoalho pélvico, além de auxiliar no manejo das alterações urinárias e intestinais, sempre considerando a condição clínica e a idade da criança.
“O impacto dessas alterações vai muito além da questão física. Elas podem interferir na rotina, na escola, nas atividades sociais e na autoestima. Por isso, o acompanhamento precisa olhar para a criança como um todo e buscar o máximo de independência possível”, destaca a fisioterapeuta.
O tratamento da mielomeningocele não se limita à fisioterapia. Dependendo das necessidades de cada paciente, o acompanhamento pode envolver profissionais como neurologistas, ortopedistas, urologistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.
O diagnóstico ainda durante a gestação também é considerado importante para orientar a família e preparar a equipe responsável pelo atendimento da mãe e do bebê. A prevenção dos defeitos do tubo neural também passa pela suplementação adequada de ácido fólico, especialmente no período que antecede a gravidez e nas primeiras semanas de gestação.
Para Karla, levar informação às famílias é uma das principais contribuições de campanhas como o Agosto Laranja.
“Muitas vezes, quando a família recebe o diagnóstico, surgem muitas dúvidas sobre o que vai acontecer daqui para frente. Informação ajuda a família a entender a condição e procurar, no momento certo, os profissionais que podem fazer parte desse acompanhamento”, afirma.
A campanha Agosto Laranja reforça, assim, a importância do diagnóstico, do acompanhamento contínuo e do acesso a uma rede de profissionais preparada para atender as diferentes necessidades de pessoas com mielomeningocele, desde a infância até a vida adulta.
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