Estado mobiliza inteligência, ROTAM e Força Tática para enfrentar avanço da violência contra mulheres em MT “Vamos bater à porta dos agressores”, diz coronel Grazielle


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JB News

Por Emerson Teixeira e Guilherme Augusto

O Governo de Mato Grosso lançou nesta quinta-feira (11), em Várzea Grande, uma ampla ofensiva estadual para combater a violência doméstica e reduzir os índices de feminicídio. Batizada de Operação Escudo Feminino, a ação mobiliza simultaneamente os 15 comandos regionais da Polícia Militar e coloca como prioridade o monitoramento de agressores, o fortalecimento da rede de proteção às vítimas e o uso da inteligência policial para impedir que casos de violência evoluam para assassinatos.

O lançamento ocorreu na sede do 2º Comando Regional da Polícia Militar, em Várzea Grande, em um momento em que Mato Grosso segue enfrentando números preocupantes de violência contra a mulher. A operação integra a política de tolerância zero adotada pelo Governo do Estado e reúne equipes da Patrulha Maria da Penha, Força Tática, ROTAM, setores de inteligência e unidades operacionais espalhadas por todas as regiões mato-grossenses.

Em entrevista ao JB News, a comandante-geral da Polícia Militar, Coronel Grazielle Paes da Silva Bugalho, afirmou que a principal inovação da operação será a atuação direta sobre os autores da violência doméstica.

“É uma abordagem diferenciada, com foco na visita aos agressores, com o objetivo de zerarmos essa reincidência e, com isso, enfrentarmos o número de feminicídios que hoje temos em Mato Grosso”, declarou.

A estratégia foi estruturada em três etapas. A primeira fase, iniciada no começo do mês, concentrou-se na coleta de informações e no trabalho de inteligência, com atualização dos dados relacionados às medidas protetivas e ao mapeamento de agressores acompanhados pela Patrulha Maria da Penha. A segunda fase, lançada oficialmente nesta quinta-feira, coloca as equipes nas ruas para realizar visitas aos autores de violência doméstica que já possuem medidas judiciais em vigor, além de ampliar o acompanhamento às vítimas. A terceira etapa está prevista para o fim de junho e será dedicada ao reforço das ações de assistência, acolhimento e orientação às mulheres atendidas pela rede de proteção.

A operação chega em um momento de forte preocupação das autoridades diante da sequência de crimes registrados em Cuiabá, Várzea Grande e municípios do interior. Somente nos últimos meses, casos de feminicídio, violência doméstica extrema e assassinatos ocorridos dentro do ambiente familiar voltaram a expor a gravidade do problema em Mato Grosso.

Na região metropolitana, um dos casos que mais repercutiram recentemente foi o assassinato de Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, encontrada morta e com o corpo queimado em Várzea Grande. As investigações apontam que a vítima foi assassinada antes da tentativa de ocultação do cadáver. O crime reacendeu o debate sobre a necessidade de ampliar mecanismos de prevenção e proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade.

Outro episódio que chocou a população mato-grossense foi a morte da adolescente Olga Beatriz de Santo Silva, de 12 anos, em Várzea Grande. Embora o caso seja investigado como homicídio e não como feminicídio, a brutalidade do crime reforçou a preocupação das autoridades com a violência praticada contra mulheres e meninas dentro do ambiente familiar, uma realidade que desafia permanentemente as forças de segurança e os órgãos de proteção.

Os dados da segurança pública mostram que a maioria dos feminicídios ocorre dentro de casa e tem como autores companheiros, ex-companheiros ou pessoas que mantinham vínculos afetivos com as vítimas. Em grande parte dos casos, os assassinatos são precedidos por ameaças, agressões físicas, violência psicológica, perseguições e outros sinais de risco que muitas vezes não chegam ao conhecimento das autoridades.

Por isso, a Operação Escudo Feminino aposta justamente na prevenção. A proposta é atuar antes que novas agressões ocorram, monitorando os agressores já identificados pelo sistema de Justiça e reforçando a presença do Estado junto às mulheres protegidas por medidas judiciais.

Segundo a coronel Graziele Paes da Silva Bugalho, os levantamentos da Polícia Militar demonstram que a denúncia continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para salvar vidas.

“A mulher que denuncia e que tem medida protetiva salvaguarda a própria vida. Os casos que nós temos, infelizmente, de feminicídio são de mulheres que não têm medida protetiva”, afirmou.

Nos últimos anos, o Governo de Mato Grosso ampliou a atuação da Patrulha Maria da Penha, fortaleceu as Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher, ampliou a integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário, além de investir em campanhas de conscientização voltadas ao enfrentamento da violência doméstica. Ainda assim, os números continuam sendo motivo de alerta para as autoridades.

A avaliação das forças de segurança é de que a subnotificação ainda representa um dos principais obstáculos no combate à violência contra a mulher. Muitas vítimas permanecem em silêncio por medo, dependência financeira, ameaças ou receio de represálias, retardando a atuação dos órgãos responsáveis pela proteção.

Dentro da Operação Escudo Feminino, as visitas aos agressores serão utilizadas como ferramenta de fiscalização e prevenção, reforçando o cumprimento das medidas impostas pela Justiça e demonstrando que os casos de violência doméstica permanecem sob acompanhamento permanente das forças de segurança.

Ao encerrar o lançamento da operação, a comandante-geral da Polícia Militar reforçou que o enfrentamento à violência contra a mulher exige a participação de toda a sociedade.

“Qualquer tipo de crime deve ser denunciado. Em situações de emergência, a população deve ligar para o 190. Para orientações e acolhimento, o canal é o 180. O Estado está preparado para atender, acolher e acompanhar essas mulheres”, concluiu.

Com atuação simultânea nos 15 comandos regionais, a expectativa do governo é ampliar o alcance das ações preventivas, reduzir a reincidência de agressões e impedir que novos episódios de violência doméstica terminem em feminicídios, um dos crimes que mais desafiam as autoridades de segurança pública em Mato Grosso.

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