F1: Ferrari usa ‘ajuda extra’ na largada em Silverstone; entenda
Há um interessante bastidor da Ferrari para contar depois da 250ª vitória da Scuderia na Fórmula 1, assinada por Charles Leclerc em Silverstone. Com exceção da fase de pit stops, o monegasco liderou todo o GP da Grã-Bretanha depois de uma largada perfeita.
No paddock, dizia-se que a Mercedes, trabalhando na eletrônica, tinha conseguido alcançar a diferença depois de a FIA ampliar a fase de largada em cinco segundos, para permitir a quem dispunha de um turbo maior pré-carregar o compressor e garantir segurança na primeira volta.
O regulamento foi alterado para evitar que carros ficassem parados no grid, causando uma situação perigosa, já que não há mais MGU-H, motor elétrico que facilitava o enchimento do turbo e reduzia o tempo de reação para sair.
Charles Leclerc, Ferrari
Foto di: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images
A Ferrari, que tinha projetado o 067/6 com uma turbina Garrett propositalmente menor (a diferença é de apenas 10mm de diâmetro), também para permitir boas arrancadas, acabou sendo penalizada. Nos primeiros GPs da temporada, beneficiou-se de saídas arrebatadoras, mas os adversários trabalharam e encontraram as contramedidas certas para não sofrer com a superioridade do time italiano.
A Scuderia chegou a Silverstone depois de dias decepcionantes na Áustria. Porém, a gestão esportiva conseguiu aproveitar os dados coletados durante a sprint: no sábado, Kimi Antonelli largou como um foguete, igualando a saída de Lewis Hamilton da pole position e anulando a vantagem da Ferrari em ter a turbina “pequena”.
A situação não passou despercebida: se a Mercedes aproveitou a liberação de energia elétrica da Scuderia, a Ferrari entendeu que o “bônus” do turbo pequeno já não bastava e decidiu acrescentar um pouco de apoio do híbrido, que as regras concedem apenas acima dos 50 km/h.
I festeggiamenti della Ferrari a Silverstone
Foto di: Steven Tee / LAT Images via Getty Images
De fato, tanto Leclerc quanto Antonelli tiveram uma boa largada, exatamente como Hamilton, que antecipou ligeiramente a largada e depois recebeu 5 segundos de penalização. O resultado foi que, na primeira curva, os dois SF-26 estavam na liderança, com Kimi em terceiro.
O monegasco construiu sua décima vitória na F1 também graças à excelente largada, porque, se Antonelli tivesse assumido a ponta, teria sido mais complicado contrariar o ritmo da Mercedes.
Analisando os dados, fica claro que, até 70k/h, Leclerc ainda estava quase empatado, enquanto o monegasco e Hamilton puderam abrir vantagem depois. Na curva 1, o ferrarista chegou a 282 km/h, enquanto Antonelli estava a apenas 260 km/h.
A Scuderia quer se tornar protagonista deste mundial e, em Silverstone, também “liberou” os cavalos do ADUO1, reduzindo de forma consistente a carga aerodinâmica que no Red Bull Ring funcionou como paraquedas, causando um consumo anormal dos pneus traseiros. A lição foi aprendida. Servirá também para Spa-Francorchamps?
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