Green card de Eduardo Bolsonaro é a atualização das 30 moedas de prata
Trump não fez isso pelo amor que sente pelos Bolsonaros, claro. Ele usou Eduardo para aplicar medidas protecionistas a fim de arrancar concessões comerciais do Brasil. Mas o ex-deputado sabia disso, mas não se importou e até contou vantagem por ter sido usado.
Agora, quem trabalhou para punir o próprio país ganha residência no país que aplicou a punição. É a versão moderna das 30 moedas de prata contada pelo Evangelho de Mateus, capítulo 26, versículos 14 a 16.
Na semana passada, Trump confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Cerca de 20% do que vendemos aos Estados Unidos deverá ser atingido. Esse foi o segundo round de tarifaço, agora para forçar o Brasil a fazer novas concessões comerciais aos EUA, limitar o Pix, beneficiar Big Techs e ajudar a eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Isso foi feito após visita do deputado federal e do seu irmão senador à Casa Branca. Não por acaso, Flávio pediu ao secretário de Estado Marco Rubio a “suspensão” das tarifas até a eleição e não o seu cancelamento. O problema, portanto, não é a destruição de empregos e empresas, mas a ação ajudar Lula a vestir a camisa da soberania nacional.
A recompensa é individual, já o prejuízo, coletivo. Eduardo tanto fez em prol do Tio Sam que ganhou o direito de morar nos Estados Unidos. Enquanto isso, empresários brasileiros ganharam a missão de encontrar novos mercados às pressas. E trabalhadores ganharam o medo de perder o salário.
No patriotismo bolsonarista, o Brasil é sempre o refém oferecido em troca da liberdade da família. O green card ficou com Eduardo — que, ao que tudo indica, tem dinheiro de sobra para garantir uma master estadia. A fatura, como de costume, chegou para nós.
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