O Brasil representa menos de 1% do mercado de capitais mundial. Para César Florido, head da XP Asset nos Estados Unidos, esse número resume um dos principais riscos de quem concentra todo o patrimônio em ativos brasileiros: ficar de fora da maior parte das oportunidades de investimento disponíveis no mundo.
A Bolsa americana é o exemplo mais evidente dessa dinâmica global. Segundo Florido, os lucros das empresas do S&P 500 cresceram 30% nos últimos 12 meses, em um mercado impulsionado não apenas pela inteligência artificial, mas também por transformações profundas em setores tradicionais como saúde e energia.
O argumento ganha relevância em períodos de maior incerteza doméstica, como o ciclo eleitoral brasileiro. Para o executivo, investir no exterior permite reduzir a dependência dos acontecimentos locais e acessar empresas, setores e fontes de retorno que têm pouca representação no mercado nacional.
Por que a bolsa americana oferece oportunidades além da inteligência artificial
A inteligência artificial concentra boa parte das atenções do mercado financeiro atualmente, mas Florido considera um erro estratégico reduzir as perspectivas da bolsa americana a esse único tema. Embora a tecnologia ocupe o centro das manchetes, existem outras forças impulsionando o crescimento corporativo.
Uma delas está no setor de saúde, que deve passar por mudanças estruturais capazes de abrir novas oportunidades de investimento. Outra frente relevante está na geração de energia elétrica, um insumo básico cuja demanda cresce aceleradamente para sustentar a própria infraestrutura tecnológica moderna.
Na avaliação do executivo, essas transformações ampliam as possibilidades para além das empresas diretamente associadas ao desenvolvimento da inteligência artificial. A tese também envolve a inflação, com a expectativa de que a alta de preços permaneça como um tema central na economia global.
Por que a XP Asset prefere títulos mais curtos na renda fixa global
A avaliação da gestora sobre a renda fixa internacional é mais cautelosa, sobretudo quando o assunto são os títulos de prazo longo. A expectativa é de que os juros longos americanos permaneçam elevados e possam apresentar novas altas em função de fatores estruturais como tensões geopolíticas e reindustrialização.
Para a XP Asset, esse cenário complexo favorece uma carteira menos exposta às oscilações acentuadas dos juros de longo prazo. A estratégia adotada prioriza uma duration menor que a do índice de referência global, reduzindo a sensibilidade do portfólio às variações das taxas.
Para compensar essa postura defensiva na renda fixa tradicional, a instituição busca maior exposição ao risco de crédito. Os focos principais estão em títulos corporativos norte-americanos de maior retorno e em emissões de dívida de países emergentes.
Onde a gestora vê oportunidades em high yield e emergentes
No segmento de renda fixa corporativa dos Estados Unidos, os títulos de maior risco e retorno ganharam nova configuração com a expansão do crédito privado. Essa mudança acabou por retirar do mercado aberto os ativos de menor qualidade, elevando o perfil geral de liquidez e solidez do restante.
Paralelamente, a dívida de mercados emergentes surge como outra alternativa estratégica. De acordo com a avaliação da gestora, essas economias atravessaram o período pós-pandemia em condições fiscais comparativamente mais equilibradas, o que pode abrir espaço para trajetórias de juros mais benignas.
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