O médico Euller Gustavo Preza, responsável pela cirurgia plástica que resultou na morte de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, em Cuiabá, veio a público se defender das acusações. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o profissional admitiu publicamente que não realizou residência médica e que tampouco possui o Registro de Qualificação de Especialista (RQE). A jovem faleceu no dia 16 de outubro, enquanto passava por procedimentos cirúrgicos no Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá.
Apesar de confirmar a falta da especialização formal tradicional, o médico defendeu sua trajetória acadêmica e profissional. Ele ressaltou que possui pós-graduação na área e argumentou que essa modalidade representa um dos caminhos válidos de formação médica, negando que a ausência do registro de especialista tenha qualquer relação direta com o óbito da paciente.
Formação acadêmica e o debate sobre o registro profissional
Durante o pronunciamento, Euller detalhou que se formou em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em 2004 e acumulou diversas certificações ao longo dos anos. Ele também afirmou ser membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e do Colégio Brasileiro de Cirurgia Plástica.
No entanto, o profissional confirmou que não integra os quadros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Segundo o próprio médico, a entidade restringe a filiação apenas a profissionais que possuem o RQE devidamente emitido pelo conselho competente. Ele reiterou que aguarda o laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML) para comprovar que a ausência do documento não foi a causa da morte.
Detalhes do procedimento e as manobras de reanimação
A cirurgia realizada em Lurdes Maria envolvia técnicas de lipoescultura e colocação de próteses mamárias. O médico relatou que o procedimento transcorria para a fase final quando a equipe notou complicações clínicas inesperadas.
De acordo com o relato, a anestesista identificou uma queda súbita na saturação de oxigênio da paciente no momento em que a equipe finalizava a lipoescultura do dorso. O profissional afirmou que a intervenção foi interrompida imediatamente, a paciente foi reposicionada e os protocolos de suporte avançado foram acionados.
- A equipe tentou reverter a situação com manobras de ressuscitação.
- Mais de cinco médicos de diferentes especialidades participaram do atendimento.
- As tentativas de salvamento duraram mais de duas horas no ambiente hospitalar.
- A paciente apresentou retorno circulatório temporário por duas vezes, mas não resistiu.
Repercussão, investigações e próximos passos
O caso gerou forte repercussão e comoção pública, além de desdobramentos legais e administrativos. O Conselho Regional de Medicina abriu uma sindicância para apurar a conduta do profissional, enquanto a Polícia Civil conduz investigações para determinar eventuais responsabilidades criminais ou civis pelo óbito.
Além da pressão institucional, o médico relatou ter sofrido agressões físicas nas dependências do hospital após a confirmação da morte, embora tenha esclarecido que os ataques não partiram dos familiares diretos da vítima. Euller afirmou estar à disposição das autoridades e declarou que pretende colaborar integralmente com as investigações para esclarecer os fatos e buscar a reabilitação de sua imagem profissional.
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