A articulação política nos bastidores do poder municipal ganhou contornos de investigação criminal com desdobramentos significativos no estado. Uma suposta manobra para afastar do cargo a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), veio à tona por meio de documentos revelados no âmbito da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) na terça-feira (20).
As informações detalhadas constam nos depoimentos prestados pelo vereador Caio Cordeiro (Novo) às autoridades competentes. A investigação apura denúncias graves envolvendo corrupção ativa, suposta formação de quadrilha e esquemas de influência na Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande, mobilizando órgãos de controle e repercutindo amplamente na política regional.
Depoimento revela articulação de bastidores e suposta vaga no Executivo
De acordo com os relatos apresentados pelo parlamentar aos investigadores do Gaeco, o ex-vice-prefeito Tião da Zaeli teria buscado apoio político para a reeleição de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Câmara Municipal. Durante as conversas, o cenário institucional envolveria a possibilidade de cassação do mandato da prefeita Flávia Moretti.
Caso a medida de afastamento avançasse, o controle do Executivo municipal cairia sob a responsabilidade imediata do sucessor legislativo. No entanto, o cenário político sofreu reviravoltas institucionais prévias, considerando que o antigo vice renunciou ao posto e hoje atua na presidência da Fecomércio, evidenciando a complexidade das alianças na região metropolitana.
Ofertas financeiras bilionárias e planos para concessão de serviços
As denúncias formalizadas no processo também apontam para negociações envolvendo a futura gestão de serviços públicos essenciais na cidade. Conforme o depoimento de Caio Cordeiro, Wanderley Cerqueira teria manifestado interesse estratégico na privatização ou concessão do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
A operação em torno da autarquia municipal incluiria, segundo a acusação, a promessa de distribuição de valores expressivos para cada parlamentar caso a medida fosse concretizada. O montante mencionado giraria em torno de R$ 500 mil por vereador envolvido na aprovação da pauta estrutural.
Propostas de compra de voto e investigações de busca e apreensão
Para assegurar o voto favorável de Caio Cordeiro na disputa pela liderança do Legislativo, a articulação política teria oferecido a quantia de R$ 100 mil. O vereador declarou ter rejeitado a proposta de suborno, apontando que o recurso financeiro estaria guardado em uma sacola localizada na residência da mãe de Wanderley.
O imóvel citado pelo parlamentar integrou a lista de alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pelas equipes do Gaeco. A ofensiva policial abrangeu dezenas de ordens judiciais expedidas para cumprimentos simultâneos em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarãess, atingindo figuras com atuação expressiva na política mato-grossense.
Supostas ameaças e desdobramentos da Operação Cathedra Venalis
Além das tratativas para a mesa diretora, o vereador relatou ter sofrido pressões após intensificar o trabalho de fiscalização sobre o transporte coletivo municipal. Segundo o depoimento, uma oferta de pagamento mensal foi recusada, enquanto o parlamentar também mencionou episódios de supostas ameaças relacionadas a gravações audiovisuais.
A operação do Gaeco mobilizou a fiscalização sobre 13 vereadores de Várzea Grande, dois parlamentares de Cuiabá e servidores públicos do Legislativo. O Play Notícias News segue acompanhando todos os desdobramentos políticos e jurídicos desta investigação para manter você, leitor, informado com clareza e credibilidade.
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