Menina de 12 anos é salva após ser entregue para ‘pagar dívidas’ dos pais
Uma menina de 12 anos, natural da República Democrática do Congo, foi resgatada no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, no último sábado (25), após revelar às autoridades que seria levada para a França para um casamento forçado como forma de saldar uma dívida contraída pelos pais.
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A Polícia de Segurança Pública (PSP) identificou o caso durante uma verificação documental de rotina no controlo fronteiriço. A menina viajava acompanhada por uma mulher francesa de 45 anos, que afirmava ser sua mãe. As duas haviam chegado a Lisboa em um voo proveniente de Dacar, no Senegal, com destino final à França.
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De acordo com a subcomissária Beatriz Cerqueira Silva, comandante da Esquadra de Segurança Aeroportuária da PSP, a análise inicial dos documentos levantou dúvidas sobre a relação entre as duas. “Nesta primeira análise documental não foi possível confirmar que efetivamente era mãe ou que faziam parte do mesmo agregado familiar”, explicou a comandante.
Com entrevistas mais detalhadas e perícia documental aprofundada, as autoridades descobriram que o passaporte apresentado pela menina não correspondia à sua identidade e que não havia qualquer vínculo familiar entre ela e a mulher que a acompanhava.
Os agentes ouviram a criança e a adulta separadamente. “Foi possível verificar que a menor nos dizia que não conhecia a senhora de lado nenhum, que não era a sua mãe”, afirmou Beatriz Cerqueira Silva.
Durante o depoimento, a menina contou que havia sido entregue pelos próprios pais a um homem para ser transportada até a França, onde seria entregue a outra pessoa para um casamento forçado. Segundo o relato, a viagem estaria relacionada a uma dívida familiar. A criança afirmou que a pessoa a quem seria prometida era um desconhecido e demonstrou medo de retornar ao país de origem ou de voltar para os pais, por recear ser novamente utilizada como forma de pagamento.
A mulher francesa de 45 anos foi detida pela PSP e teve a prisão preventiva decretada pela autoridade judiciária competente. O caso está a ser investigado e pode envolver crimes como tráfico de seres humanos, falsificação de documentos, casamento forçado e até rapto de menores, segundo especialistas ouvidos pela SIC Notícias.
A menina permanece em Portugal sob acompanhamento de equipes especializadas no apoio a vítimas de tráfico de pessoas.
A subcomissária Beatriz Cerqueira Silva destacou que casos como este exigem preparação cada vez maior dos agentes responsáveis pelo controlo de fronteiras, devido às diferentes formas de atuação dos criminosos. “O crime de tráfico de seres humanos começa a ser cada vez mais frequente. Existem vários modus operandi que nos podem aparecer”, afirmou.
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