NOVA VICE: “Conheço a periferia e a dor de muita gente”: Gisela se apresenta como “equilíbrio necessário” na chapa de Pivetta


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JB News

Por José Teixeira

Recém-anunciada candidata a vice-governadora na chapa do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), Gisela Simona (União Brasil) fez nesta terça-feira (11) seu primeiro discurso após assumir a missão eleitoral e colocou sua origem, a experiência no serviço público, a proximidade com a periferia e a defesa das mulheres como marcas da nova composição governista. Confiante, ela ainda lançou uma frase em tom de campanha: “Eu trabalho, eu entrego, eu honro e nós vamos ganhar a eleição”.

Ao lado de Pivetta, Gisela afirmou receber o convite com “alegria” e “responsabilidade” e sustentou que a escolha não representa apenas uma decisão eleitoral, mas o reconhecimento de uma trajetória construída no serviço público e na política.

A cuiabana lembrou sua atuação no Procon, onde ganhou projeção estadual na defesa dos consumidores, e destacou sua condição de servidora pública e sua passagem pela Câmara dos Deputados. Segundo dados oficiais da Câmara, Gisela assumiu como suplente de deputada federal em julho de 2023 e permaneceu em diferentes períodos no exercício do mandato até abril deste ano.

“É sempre, para mim, uma honra receber o convite para estar candidata a vice-governadora junto com Otaviano Pivetta, porque é uma pessoa que sempre foi muito leal e fiel junto ao Governo do Estado, fez muitas entregas durante os últimos sete anos. Acredito que esse convite, na verdade, é fruto de toda uma trajetória e daquilo que eu represento”, afirmou.

Gisela procurou apresentar sua chegada à chapa como a inclusão de um perfil diferente e complementar ao de Pivetta. Citou sua condição de mulher, cuiabana e servidora pública e lembrou a imagem construída durante os anos em que esteve à frente do Procon.

“Uma mulher, uma cuiabana, uma servidora pública, uma pessoa que tem na sua vida uma trajetória de resultados, seja como a Gisela do Procon, que fez muita entrega e foi a voz de muita gente. A gente quer continuar essa representatividade aqui, hoje junto ao Governo do Estado”, declarou.

Em uma das falas mais contundentes do anúncio, a candidata a vice fez referência à própria origem para afirmar que não pretende desperdiçar a oportunidade recebida.

“Quem veio de onde eu vim sabe que todas as oportunidades que eu tenho, eu trabalho, eu entrego, eu honro e nós vamos ganhar a eleição”, disse.

“Conhece a periferia de Mato Grosso”

Ao explicar como pretende funcionar a parceria com Pivetta, Gisela definiu a nova composição como a união de dois perfis que, segundo ela, se complementam. De um lado, destacou a experiência administrativa do governador; do outro, colocou sua própria proximidade com as comunidades e com segmentos que considera necessitarem de maior presença do poder público.

“Acredito que é uma parceria de pessoas que se completam e que têm um espírito público em comum”, afirmou.

Foi neste momento que Gisela apresentou uma das principais mensagens políticas de seu primeiro discurso como candidata a vice. Ela afirmou conhecer de perto as regiões mais pobres e as dificuldades enfrentadas pela população.

“Pivetta pela competência que ele já demonstrou, seja nas gestões como prefeito, como ser humano que ele é. E a Gisela, que conhece muito bem a periferia de Mato Grosso, que conhece a dor de muita gente, que vai trazer para essa gestão a sensibilidade que o nosso povo quer que se tenha”, declarou.

A nova integrante da chapa também prometeu abrir espaço de diálogo com os servidores públicos estaduais e afirmou que pretende representar as mulheres dentro de uma eventual nova gestão.

Gisela argumentou que a participação feminina precisa alcançar os espaços de decisão política e disse enxergar sua indicação como algo que ultrapassa seu projeto pessoal. Para ela, a presença na chapa representa também um chamado às mulheres mato-grossenses para participarem da disputa eleitoral.

“É uma porta aberta, sim, para inclusive diálogo com os servidores públicos, com as mulheres do nosso Estado”, afirmou.

A candidata ainda criticou o que classificou como “apagamento feminino” nas chapas majoritárias e defendeu maior presença das mulheres nos espaços de poder.

“Eu tenho a honra de estar aqui ombreando isso, porque nós temos um eleitorado de 54% de mulheres que precisam se ver representadas em espaços de poder importantes”, declarou.

Segundo Gisela, o convite feito por Pivetta não deve ser interpretado apenas como uma escolha individual.

“Não é um convite só para a Gisela, mas acredito que é um convite que vem convidar todas as mulheres mato-grossenses para se somarem a nós nessa luta. Porque vamos ser unidas que nós vamos conseguir vencer grandes desafios dentro do nosso Estado”, acrescentou.

A presença feminina na chapa de Pivetta já vinha sendo discutida meses antes da definição. Em maio, quando ainda negava ter recebido convite formal, Gisela reconhecia publicamente a importância de uma mulher na composição majoritária. Na ocasião, as especulações surgiram justamente depois de Pivetta manifestar preferência por uma mulher da Baixada Cuiabana para a vaga de vice.

Feminicídio e orçamento

Questionada sobre o enfrentamento ao feminicídio em Mato Grosso, Gisela defendeu que leis, isoladamente, não são suficientes e afirmou que políticas públicas de proteção às mulheres precisam ter recursos previstos no orçamento.

“Eu sempre digo que política pública a gente faz com dinheiro. É importante nós termos leis que avançaram muito, mas nós temos que ter no orçamento público dinheiro reservado para o combate à violência contra a mulher”, disse.

Gisela afirmou que pretende discutir com Pivetta o fortalecimento das dotações destinadas ao setor e levar o debate também aos municípios.

“Eu acredito que aqui, junto com Otaviano Pivetta, nós vamos melhorar as condições de orçamento, vamos conversar com os prefeitos de Mato Grosso para que as prefeituras também tenham essa reserva de orçamento, para que a gente possa ver implementadas políticas públicas que realmente atendam as mulheres mato-grossenses”, declarou.

Aproximação com Cuiabá e Várzea Grande

Outro ponto explorado pela nova candidata a vice foi sua ligação com Cuiabá, Várzea Grande e a Baixada Cuiabana. Gisela revelou que, antes mesmo da definição da chapa, já conversava com Pivetta sobre ajudá-lo a ampliar a presença política nas comunidades da região metropolitana.

Segundo ela, as agendas conjuntas permitiram ao governador conhecer realidades sociais que até então não faziam parte de sua rotina.

“O Pivetta gosta de povo, ele se sente bem junto com as comunidades. E, independentemente desse convite, a gente tinha conversado no sentido de eu poder aproximá-lo mais de Cuiabá e Várzea Grande, principalmente da Baixada Cuiabana, que é meu território”, afirmou.

Gisela relatou que, durante visitas, Pivetta teria se surpreendido com situações de vulnerabilidade encontradas em determinadas regiões da Capital.

Segundo ela, ao conhecer alguns desses locais, o governador chegou a comentar que desconhecia a existência de determinadas situações de pobreza dentro de Cuiabá.

Para a candidata a vice, essa aproximação com as comunidades deverá ser uma das características da campanha.

“É dessa forma que a gente faz política: olhando no olho, conversando, uma escuta ativa das pessoas”, afirmou.

Ao concluir seu primeiro discurso como companheira de chapa, Gisela procurou sintetizar politicamente o significado da nova composição. Na avaliação dela, sua experiência nas comunidades e a trajetória administrativa de Pivetta formariam aquilo que classificou como o “equilíbrio necessário” para a continuidade do projeto governista.

“Por isso que eu digo que Pivetta e Gisela é o equilíbrio necessário para a gente melhorar ainda mais essa gestão, continuar sendo esse espaço de prosperidade dentro do Brasil, para a gente ver o nosso Estado ser cada vez melhor para viver”, concluiu.

A definição de Gisela encerra uma movimentação política que vinha sendo construída ao longo dos últimos meses. Em maio, ela ainda negava qualquer convite formal, embora seu nome já aparecesse entre as possibilidades para uma composição feminina e ligada à Baixada Cuiabana. No fim de junho, Pivetta voltou a declarar publicamente que estava em seus planos ter uma mulher como vice, enquanto Gisela aparecia entre os nomes cotados.

Agora, confirmada na disputa, Gisela estreia na chapa procurando estabelecer desde o primeiro discurso os papéis que pretende ocupar na campanha: interlocutora com os servidores, representante feminina, ponte política com Cuiabá e Várzea Grande e uma voz ligada às periferias e às demandas sociais dentro do projeto de reeleição de Otaviano Pivetta.

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