O que a cyberpunk Chongqing pode ensinar a São Paulo sobre enchentes
Acompanhei um encontro de acadêmicos latino-americanos e chineses sobre o que esta Chongqing de verdade, dos alagamentos e deslizamentos, tem para ensinar às cidades brasileiras, argentinas etc.
Falou-se de muito mais, do transporte público local à logística global de comércio — a cidade é o maior entroncamento da Cinturão e Rota, o projeto chinês de infraestrutura que Lula rejeitou e Javier Milei abraçou. Mas o programa contra enchentes era o maior atrativo, até porque as chuvas prosseguiam.
Falaram especialistas chineses em sequência, na central tecnológica criada para isso. Em suma, buscam sair da resposta passiva, pós-desastre, para os alertas antecipados, com inteligência artificial integrando dados e derrubando muros burocráticos. Destacam quatro soluções.
Primeiro, alertas hiperlocalizados: usando “geofencing”, algo como cercas virtuais, enviam-se avisos aos celulares na área exata sob risco, em até quatro minutos. Segundo, túneis inteligentes: com sensores para quando a água atinge 30 centímetros, acionam-se automaticamente o sinal vermelho e a drenagem.
Terceiro, evacuação guiada por simulação 3D: com dados sobre o nível dos rios, o algoritmo calcula quais prédios e ruas serão submersos e gera ordens precisas de retirada. Por fim, autoridade local digitalizada: a ordem de evacuação é disparada para o coordenador local de defesa civil.
As soluções emergenciais se somam a outras, de longo prazo, como a chamada cidade-esponja.
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