Obras do BRT ganha mais 150 dias de prazo e Governo aposta em novo cronograma para evitar caos no trânsito em Cuiabá e VG


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JB News

Por Nayara Cristina

O Governo de Mato Grosso oficializou a prorrogação de 150 dias do contrato com o Consórcio Integra BRT, responsável pelas obras do Bus Rapid Transit (BRT) entre Cuiabá e Várzea Grande. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado e formaliza a decisão anunciada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

Com a alteração contratual, a vigência do contrato foi estendida até 16 de fevereiro de 2027, enquanto o prazo para conclusão das obras passa a ser 18 de novembro de 2026. A ampliação do cronograma ocorre após uma série de adequações técnicas no projeto e mudanças na forma de execução dos serviços, adotadas para reduzir os impactos provocados pelas intervenções no trânsito das duas maiores cidades do Estado.

Segundo a Sinfra, a decisão foi tomada após avaliações técnicas demonstrarem que a execução simultânea de diversas frentes de trabalho, como previa o planejamento original, provocaria transtornos ainda maiores à mobilidade urbana. A nova estratégia determina que as obras avancem de forma escalonada, com abertura gradual dos trechos e definição conjunta das interdições em alinhamento permanente com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob).

Além da preocupação com o fluxo de veículos, o Governo também considera outras intervenções em andamento na capital, como obras de redes de água e esgoto realizadas pela concessionária responsável pelo saneamento. A intenção é evitar que diferentes frentes de obras coincidam em um mesmo corredor viário, cenário que poderia provocar congestionamentos ainda mais severos.

De acordo com o secretário-adjunto de Infraestrutura e Logística, Yuri Nascimento, a mudança no cronograma busca equilibrar a continuidade da obra com a necessidade de preservar a mobilidade da população.

O Governo afirma que o corredor exclusivo do BRT está praticamente concluído em grande parte do trajeto. O principal foco agora é a construção das 77 estações de embarque e desembarque, que tiveram o projeto reformulado após análises técnicas apontarem necessidade de melhorias para ampliar a vida útil das estruturas e oferecer mais conforto aos usuários.

Entre as alterações implementadas estão a substituição do sistema convencional de climatização por equipamentos industriais, mais resistentes às altas temperaturas registradas em Mato Grosso, instalação de vidros antivandalismo, reforço estrutural das plataformas, mudanças nos sistemas elétricos, adequações de acessibilidade e aperfeiçoamentos na arquitetura das estações. Segundo a Sinfra, essas mudanças exigiram revisão dos projetos executivos e impactaram diretamente o cronograma da obra.

Outro fator que contribuiu para a extensão do prazo foi a revisão da estratégia operacional. O planejamento inicial previa a abertura simultânea de sete frentes de trabalho ao longo do corredor entre o Terminal André Maggi, em Várzea Grande, e o Terminal do CPA, em Cuiabá. No entanto, logo após o início das intervenções, os impactos no trânsito foram considerados superiores ao esperado, gerando congestionamentos prolongados, dificuldades de acesso ao comércio e inúmeras reclamações de motoristas e moradores.

Diante desse cenário, o Estado optou por reduzir o número de frentes simultâneas, permitindo que cada trecho seja concluído antes da abertura de novas intervenções. A expectativa é minimizar os transtornos sem comprometer a qualidade da obra.

Durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, representantes da Sinfra também reafirmaram que o cronograma de entregas permanece mantido. A previsão é concluir as obras civis dos principais corredores até o segundo semestre deste ano, permitindo que os testes operacionais avancem posteriormente.

O sistema BRT substituirá definitivamente o antigo projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), interrompido após denúncias de irregularidades, sobrepreço e abandono das obras iniciadas para a Copa do Mundo de 2014. O novo modal utilizará ônibus articulados em corredores exclusivos, prometendo maior capacidade de transporte, menor tempo de deslocamento e custos operacionais inferiores aos do sistema ferroviário inicialmente planejado.

Mesmo com a nova prorrogação, o Governo sustenta que o objetivo permanece inalterado: entregar um sistema moderno, seguro e eficiente para integrar Cuiabá e Várzea Grande. A expectativa da administração estadual é que o BRT represente um novo marco para a mobilidade urbana da região metropolitana, encerrando um dos mais longos e polêmicos capítulos da infraestrutura de transporte em Mato Grosso.

A ampliação do prazo, entretanto, também reforça a cobrança por parte da população, do setor produtivo e de parlamentares, que acompanham de perto o andamento da obra. Após anos de atrasos, mudanças de projeto e sucessivas revisões de cronograma, cresce a expectativa para que as novas datas sejam efetivamente cumpridas e que o sistema finalmente entre em operação, colocando fim a uma espera que já ultrapassa uma década.



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