Operação Fugazi mira grupo econômico ligado à Capital Consig e amplia investigação sobre suposta fraude contra servidores em Mato Grosso
JB News
Por Emerson Teixeira
A Operação Fugazi, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (15), colocou no centro das investigações um grupo de empresas e empresários suspeitos de integrar uma estrutura financeira que, segundo os investigadores, teria utilizado operações de crédito consignado para aplicar um suposto esquema de fraudes contra servidores públicos, aposentados e pensionistas em Mato Grosso.
A principal investigada é a Capital Consig, apontada pela Polícia Federal como o núcleo de um grupo econômico que teria comercializado cartões de crédito consignado apresentados aos consumidores como uma alternativa de crédito, mas que, na prática, funcionariam como empréstimos consignados com cobrança de juros elevados, descontos permanentes em folha de pagamento e mecanismos que dificultariam a quitação integral das dívidas. A empresa nega todas as acusações.
Além da Capital Consig, também foram alvo de mandados de busca e apreensão as empresas Clickdigital Participações S.A., Clickbank Instituição de Pagamentos Ltda., Bemcardes Benefícios S.A., ABCCARD Cartões Ltda., Quiz Holding Ltda. e Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A., todas apontadas pela investigação como integrantes da estrutura empresarial analisada pela Polícia Federal.
Entre os investigados estão os empresários Marcolino Medeiros Junior, Roberto Arduini Gomes Teixeira, Sven Stefan Padre Kuhn, Caspar Heinrich Menke, Yim Kyu Lee e Henrique Souza e Silva Peretto. As diligências foram realizadas em Mato Grosso, Rio Grande do Sul e São Paulo, onde os agentes federais cumpriram, ao todo, 13 mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal.
Em Porto Alegre (RS), um dos principais alvos foi o empresário Marcolino Medeiros Junior, apontado como ligado à Cartos Sociedade de Crédito Direto. Conforme a investigação, a empresa faria parte do mesmo grupo econômico da Capital Consig e teria participação na estrutura utilizada para operacionalizar os contratos sob suspeita.
Segundo a Polícia Federal, o modelo de negócio investigado consistia na oferta de um cartão de crédito consignado que, na prática, era utilizado como um empréstimo consignado disfarçado. De acordo com os investigadores, o sistema previa incidência de juros considerados elevados, descontos automáticos diretamente na folha de pagamento e cláusulas que dificultavam a liquidação do débito, fazendo com que muitos consumidores permanecessem endividados por longos períodos e, em diversos casos, vissem o saldo devedor aumentar mesmo após sucessivos pagamentos.
Além da possível fraude contra consumidores, a investigação também apura indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem de dinheiro. A Justiça Federal determinou o bloqueio de ativos financeiros, o sequestro de bens móveis e imóveis e outras medidas patrimoniais para garantir eventual ressarcimento dos prejuízos e preservar o resultado das investigações.
A Operação Fugazi representa mais um desdobramento das apurações sobre o mercado de crédito consignado em Mato Grosso, que já vinha sendo alvo de questionamentos por órgãos de controle e também motivou discussões na Assembleia Legislativa sobre a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades envolvendo contratos firmados com servidores públicos estaduais.
Até o momento, a Polícia Federal ressalta que as investigações continuam e que os fatos ainda serão analisados no curso do processo. Os investigados terão oportunidade de apresentar suas defesas perante a Justiça. A Capital Consig, por sua vez, afirma que atua dentro da legalidade e nega a prática de qualquer irregularidade apontada pela investigação.
Sobre o Autor

0 Comentários