Pivetta exige cumprimento de contrato para ferrovia chegar a Cuiabá


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A inauguração do primeiro trecho da Ferrovia Estadual de Mato Grosso, realizada nesta quinta-feira (19), em Dom Aquino, marcou um dos momentos mais importantes da história da logística mato-grossense. A cerimônia contou com a presença do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, do vice-governador Otaviano Pivetta, autoridades estaduais, representantes do setor produtivo e dirigentes da concessionária Rumo, responsável pela execução do empreendimento.  

Durante o evento, Pivetta fez questão de afastar qualquer dúvida sobre a continuidade do projeto ferroviário e afirmou que o Governo de Mato Grosso exigirá o cumprimento integral do contrato firmado com a concessionária. Segundo ele, os trilhos precisam chegar a Cuiabá e avançar até Lucas do Rio Verde, conforme previsto no modelo de autorização criado pelo Estado.

“Nós temos um contrato do Estado com a Rumo para os trilhos chegarem em Cuiabá e seguirem para Lucas do Rio Verde. Vamos cobrar esse contrato. Fizemos um bom contrato em nome do povo de Mato Grosso”, declarou.

A primeira etapa entregue pela Rumo compreende aproximadamente 162 quilômetros de extensão, ligando Rondonópolis ao Terminal Ferroviário da BR-070, em Dom Aquino. O trecho integra o maior projeto ferroviário atualmente em execução no Brasil e recebeu investimentos estimados em cerca de R$ 5 bilhões, totalmente financiados pela iniciativa privada.  

Quando concluída, a Ferrovia Estadual terá cerca de 743 quilômetros de extensão, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, passando por importantes polos produtivos do Estado e incluindo um ramal estratégico para Cuiabá. O investimento total previsto gira em torno de R$ 15 bilhões, consolidando a obra como uma das maiores intervenções de infraestrutura da história de Mato Grosso.  

A construção da ferrovia teve início após a autorização concedida pelo Governo de Mato Grosso à Rumo, em um modelo pioneiro no país. O projeto foi estruturado para reduzir os custos logísticos, aumentar a competitividade do agronegócio e ampliar a capacidade de escoamento da produção estadual em direção aos portos brasileiros.  

Em sua fala, Pivetta reconheceu que o cenário econômico atual impõe dificuldades para grandes investimentos em infraestrutura. Ele lembrou que, quando os investimentos começaram a ser estruturados, em 2021 e 2022, o mercado trabalhava com juros próximos de 4% ao ano. Atualmente, segundo ele, empresas precisam captar recursos em um ambiente de taxas que chegam perto de 15% ao ano, o que impacta diretamente o fluxo de caixa e o ritmo de execução das obras.

Mesmo assim, o vice-governador demonstrou confiança na continuidade do empreendimento e na retomada mais acelerada dos investimentos nos próximos anos. Para ele, a necessidade de ampliar a infraestrutura logística do Estado é incontestável diante do crescimento da produção agrícola mato-grossense.

Pivetta destacou que Mato Grosso adicionou, nos últimos sete anos, cerca de 46 milhões de toneladas à sua produção, volume equivalente à produção de um estado inteiro do porte do Paraná. Segundo ele, esse crescimento demonstra que a demanda por novos corredores logísticos continuará aumentando e justifica a urgência da expansão ferroviária.

A expectativa é que o terminal inaugurado em Dom Aquino tenha capacidade para movimentar aproximadamente 10 milhões de toneladas de grãos por ano, fortalecendo a integração entre as regiões produtoras e a malha ferroviária nacional.  

Ao encerrar sua manifestação, Pivetta reafirmou que a ferrovia é uma obra estratégica para o futuro de Mato Grosso e garantiu que o Estado permanecerá vigilante para assegurar o cumprimento dos compromissos assumidos pela concessionária.

“A ferrovia está chegando. O mercado é bom, a produção continua crescendo e nós precisamos desses trilhos. Temos contrato e vamos cobrar a Rumo para cumprir aquilo que foi acordado com o povo de Mato Grosso”, concluiu.

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