Renúncia de delegados amplia tensão e acirra guerra interna no União Brasil na véspera da convenção
JB News
Por Emerson Teixeira
A poucas horas da convenção estadual do União Brasil, marcada para esta quinta-feira (30), em Cuiabá, a disputa pelo comando dos rumos eleitorais da legenda ganhou um novo e explosivo capítulo. A renúncia de dois delegados convencionais elevou ainda mais a temperatura de um embate que, há semanas, vem dividindo o partido entre o grupo liderado pelo ex-governador Mauro Mendes e o senador Jayme Campos. Nos bastidores, o clima é de intensa articulação política, movimentações de última hora e um verdadeiro jogo de forças que promete transformar a convenção em um dos momentos mais decisivos da política mato-grossense em 2026.
Os prefeitos Bruno Mena, de Matupá, e Vander Masson, de Tangará da Serra, abriram mão das funções de delegados da convenção. Embora continuem com direito a voto por integrarem o Diretório Estadual do União Brasil, as renúncias permitiram a convocação dos suplentes Luís Rogério Mena e Rogério Silva Santos. A mudança é considerada estratégica por integrantes da legenda, já que fortalece numericamente a ala alinhada ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e ao presidente estadual do partido, Mauro Mendes, que defendem a manutenção da aliança governista.
A movimentação ocorre justamente no momento em que a disputa interna atinge seu ponto máximo. O senador Jayme Campos trava uma intensa batalha para convencer os convencionais de que o União Brasil deve lançar candidatura própria ao Governo do Estado, rompendo a estratégia de apoio ao projeto de reeleição de Pivetta. Do outro lado, Mauro Mendes atua para consolidar a unidade da base governista e impedir qualquer ruptura que comprometa a sucessão estadual construída ao longo dos últimos anos.
Nos bastidores, dirigentes afirmam que novas articulações seguem ocorrendo até os minutos que antecedem a convenção. A expectativa é de que outras mudanças possam acontecer na composição dos votos, alimentando especulações sobre um possível reforço da maioria favorável ao grupo governista. A avaliação de lideranças é de que cada voto passou a ter peso decisivo diante do equilíbrio das forças internas.
Apesar do cenário adverso, Jayme Campos mantém o discurso de confiança. O senador afirma contar com uma base entre 31 e 35 votos, quantitativo que considera suficiente para levar sua pré-candidatura ao Governo do Estado à apreciação dos convencionais. Seus aliados sustentam que o partido precisa resgatar o protagonismo eleitoral e defender uma candidatura própria, enquanto o grupo de Mauro Mendes argumenta que a manutenção da aliança com Otaviano Pivetta representa o caminho mais seguro para preservar a estabilidade política e administrativa construída nos últimos anos.
O ambiente de confronto interno se intensificou ainda mais após o registro das chapas. Em um gesto que simboliza o tamanho do impasse, Jayme Campos incluiu Mauro Mendes como candidato ao Senado em sua composição. Paralelamente, Mauro oficializou uma chapa ao Senado vinculada ao projeto político de Otaviano Pivetta, escancarando o racha que divide uma das principais forças políticas de Mato Grosso.
A disputa ganhou contornos ainda mais acirrados na última semana, quando o deputado estadual Júlio Campos acusou, sem apresentar provas, a existência de uma suposta “mala branca” circulando nos bastidores da convenção para influenciar convencionais e inviabilizar a candidatura de seu irmão ao Governo do Estado. A declaração provocou forte reação de Mauro Mendes, que rebateu publicamente as acusações, classificou as insinuações como infundadas e elevou o tom do confronto político dentro da legenda.
Agora, com as renúncias dos delegados e a intensificação das articulações de última hora, a convenção desta quinta-feira passou a ser tratada por lideranças políticas como um divisor de águas para o processo sucessório de 2026. Mais do que definir o posicionamento do União Brasil, o encontro poderá redesenhar o mapa político estadual, influenciar futuras alianças e estabelecer o rumo de uma das disputas eleitorais mais importantes da história recente de Mato Grosso. Até a abertura oficial da convenção, a expectativa é de que o clima permaneça de absoluta ebulição, com negociações, pressões e movimentos de bastidores capazes de alterar, a qualquer momento, o equilíbrio de forças dentro da legenda.
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