O depoimento de um policial civil durante uma sessão do Tribunal do Júri trouxe novos detalhes sobre a dinâmica de um crime que chocou o estado de Mato Grosso. Conforme o testemunho prestado em Cuiabá, o réu acusado de assassinar a própria esposa teria arquitetado um plano para despistar as autoridades policiais, simulando uma extorsão mediante sequestro com o auxílio de uma pessoa contratada em outro estado da federação brasileira.
A encenação do sequestro e o avanço das investigações
Durante a instrução processual, o policial civil Eder Lucas de Rezende detalhou que o réu Jackson Pinto da Silva procurou as autoridades policiais demonstrando grande nervosismo para comunicar o suposto desaparecimento de sua companheira, a empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos. Para sustentar a narrativa de que a vítima estaria sob o poder de criminosos, o acusado apresentou registros de mensagens em seu próprio celular que indicavam cobranças de resgate atribuídas a uma facção criminosa com atuação nacional.
No entanto, o trabalho investigativo revelou inconsistências graves na versão apresentada pelo marido. A apuração policial apontou que o próprio Jackson teria contratado um indivíduo no estado de São Paulo para disparar as mensagens simulando o cativeiro, utilizando artifícios tecnológicos para forjar o contato criminoso. A farsa começou a desmoronar quando os investigadores analisaram o aparelho telefônico do suspeito e identificaram pistas sobre a locação de bens pertencentes à vítima.
A descoberta do corpo e a ocultação de provas
O cerco policial se fechou quando a equipe se deslocou até um imóvel ligado à empresária para verificar informações sobre aluguéis. No local, os policiais perceberam que a terra do quintal estava recentemente remexida, o que levantou suspeitas imediatas sobre o paradeiro da vítima. O corpo foi localizado enterrado na propriedade localizada no bairro Parque Cuiabá, em uma área onde o réu havia contratado maquinário anteriormente sob o pretexto de realizar obras civis.
Segundo a denúncia formalizada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a empresária foi morta por asfixia mecânica mediante o uso de uma abraçadeira plástica, conhecida popularmente como enforca-gato. Peritos encontraram artefatos semelhantes presos aos pulsos e tornozelos da vítima. Além disso, o inquérito policial apontou que o acusado removeu os equipamentos de gravação das câmeras de segurança da residência e utilizou o telefone celular da própria esposa para enviar mensagens aos familiares, buscando retardar a descoberta do homicídio.
Contexto de violência e motivação patrimonial
O Tribunal do Júri da capital mato-grossense analisa a responsabilidade penal do réu pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime. Os trabalhos em plenário são conduzidos sob a presidência da juíza Mônica Perri, titular da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. A defesa técnica do acusado é exercida pela Defensoria Pública de Mato Grosso.
A acusação sustentada pelo Ministério Público aponta que o assassinato ocorreu em um cenário evidente de violência doméstica e familiar contra a mulher. Os promotores também enfatizam a existência de fortes indícios de motivação patrimonial, indicando que o réu teria executado o plano homicida com o propósito de assegurar o controle financeiro sobre o patrimônio e os bens acumulados pela empresária ao longo de sua vida.
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