MATO GROSSO

Julgamento revela que réu simulou sequestro com ajuda externa em Cuiabá

Depoimento policial revela que réu contratou comparsa em São Paulo para simular sequestro da esposa antes de ser descoberto em Cuiabá.

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  • O depoimento de um policial civil durante uma sessão do Tribunal do Júri trouxe novos detalhes sobre a dinâmica de um crime…
  • Conforme o testemunho prestado em Cuiabá, o réu acusado de assassinar a própria esposa teria arquitetado um plano para despistar as autoridades…
  • A encenação do sequestro e o avanço das investigações Durante a instrução processual, o policial civil Eder Lucas de Rezende detalhou que…
Julgamento revela que réu simulou sequestro com ajuda externa em Cuiabá
Rodrigo Moura / TJMT

O depoimento de um policial civil durante uma sessão do Tribunal do Júri trouxe novos detalhes sobre a dinâmica de um crime que chocou o estado de Mato Grosso. Conforme o testemunho prestado em Cuiabá, o réu acusado de assassinar a própria esposa teria arquitetado um plano para despistar as autoridades policiais, simulando uma extorsão mediante sequestro com o auxílio de uma pessoa contratada em outro estado da federação brasileira.

A encenação do sequestro e o avanço das investigações

Durante a instrução processual, o policial civil Eder Lucas de Rezende detalhou que o réu Jackson Pinto da Silva procurou as autoridades policiais demonstrando grande nervosismo para comunicar o suposto desaparecimento de sua companheira, a empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos. Para sustentar a narrativa de que a vítima estaria sob o poder de criminosos, o acusado apresentou registros de mensagens em seu próprio celular que indicavam cobranças de resgate atribuídas a uma facção criminosa com atuação nacional.

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No entanto, o trabalho investigativo revelou inconsistências graves na versão apresentada pelo marido. A apuração policial apontou que o próprio Jackson teria contratado um indivíduo no estado de São Paulo para disparar as mensagens simulando o cativeiro, utilizando artifícios tecnológicos para forjar o contato criminoso. A farsa começou a desmoronar quando os investigadores analisaram o aparelho telefônico do suspeito e identificaram pistas sobre a locação de bens pertencentes à vítima.

A descoberta do corpo e a ocultação de provas

O cerco policial se fechou quando a equipe se deslocou até um imóvel ligado à empresária para verificar informações sobre aluguéis. No local, os policiais perceberam que a terra do quintal estava recentemente remexida, o que levantou suspeitas imediatas sobre o paradeiro da vítima. O corpo foi localizado enterrado na propriedade localizada no bairro Parque Cuiabá, em uma área onde o réu havia contratado maquinário anteriormente sob o pretexto de realizar obras civis.

Segundo a denúncia formalizada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a empresária foi morta por asfixia mecânica mediante o uso de uma abraçadeira plástica, conhecida popularmente como enforca-gato. Peritos encontraram artefatos semelhantes presos aos pulsos e tornozelos da vítima. Além disso, o inquérito policial apontou que o acusado removeu os equipamentos de gravação das câmeras de segurança da residência e utilizou o telefone celular da própria esposa para enviar mensagens aos familiares, buscando retardar a descoberta do homicídio.

Contexto de violência e motivação patrimonial

O Tribunal do Júri da capital mato-grossense analisa a responsabilidade penal do réu pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime. Os trabalhos em plenário são conduzidos sob a presidência da juíza Mônica Perri, titular da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. A defesa técnica do acusado é exercida pela Defensoria Pública de Mato Grosso.

A acusação sustentada pelo Ministério Público aponta que o assassinato ocorreu em um cenário evidente de violência doméstica e familiar contra a mulher. Os promotores também enfatizam a existência de fortes indícios de motivação patrimonial, indicando que o réu teria executado o plano homicida com o propósito de assegurar o controle financeiro sobre o patrimônio e os bens acumulados pela empresária ao longo de sua vida.

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