A expectativa em torno de uma safra recorde de soja no Brasil e o ritmo acelerado do plantio no país exercem forte pressão sobre as cotações da oleaginosa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Os contratos futuros operam em queda, estendendo as perdas registradas na sessão anterior, conforme aponta a análise divulgada pela consultoria Safras & Mercado.
Além da perspectiva de uma oferta brasileira robusta, o cenário internacional conta com o clima favorável à colheita nos Estados Unidos. O avanço dos trabalhos nas lavouras norte-americanas amplia a disponibilidade imediata do grão e estimula a realização de lucros por parte de fundos especulativos. Por outro lado, fatores como a valorização do petróleo e a retomada pontual das compras externas ajudam a conter quedas mais drásticas.
Avanço da colheita nos Estados Unidos pressiona bolsas
Na sessão anterior, a oleaginosa já havia encerrado as negociações em baixa na Bolsa de Chicago, atingindo patamares mínimos em dois meses. O movimento refletiu diretamente o ritmo da colheita nos Estados Unidos e a previsão de continuidade de tempo seco e propício para o trabalho dos agricultores.
Segundo dados oficiais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os trabalhos de campo alcançaram uma parcela significativa da área cultivada até a metade de outubro. Embora o índice tenha ficado ligeiramente abaixo da média histórica dos últimos cinco anos, foi suficiente para injetar volatilidade e pessimismo entre os investidores.
Demanda da China sustenta o mercado internacional
Apesar do ambiente de desvalorização externa, a demanda chinesa continua desempenhando um papel crucial na sustentação da cadeia produtiva global. Informações divulgadas pela agência de notícias Reuters mostram que o gigante asiático manteve um volume expressivo de importações do grão sul-americano ao longo dos primeiros três trimestres do ano.
A Agro MT destaca que, embora tenha ocorrido uma oscilação mensal pontual nas entregas destinadas ao mercado asiático, o acumulado anual demonstra a forte dependência externa da China em relação aos produtores da América do Sul.
Retomada nas compras de soja norte-americana
No radar dos agentes financeiros também está a reativação gradual das aquisições de soja dos Estados Unidos pelo mercado chinês. Após períodos de baixas expressivas nas transações bilaterais, novos carregamentos começam a ser despachados em decorrência de negociações e acordos comerciais recentes firmados entre as potências.
Exportadores privados norte-americanos já comunicaram vendas volumosas com entrega programada para a temporada vigente. Contudo, especialistas avaliam que esses sinais de reaquecimento ainda carecem de fôlego para neutralizar o impacto combinado da alta produtividade brasileira e do pico da safra norte-americana.
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