Estabilidade na produção de soja em Mato Grosso
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) manteve inalteradas as estimativas para a safra 26/27 de soja em Mato Grosso. O estado projeta uma colheita de 48,88 milhões de toneladas, cultivadas em uma área total de 13,05 milhões de hectares. A produtividade média esperada é de 62,44 sacas por hectare, um índice que, embora robusto, situa-se abaixo dos patamares recordes registrados nas duas temporadas anteriores, quando as médias superaram a marca de 66,00 sacas por hectare.
O cenário atual exige cautela dos produtores rurais. Com o avanço das atividades de campo, a regularidade das precipitações será o fator determinante para confirmar o potencial produtivo. As atenções do setor estão voltadas para as condições climáticas de dezembro, período em que a previsão de altas temperaturas pode pressionar o desenvolvimento das lavouras e exigir ajustes nas estimativas futuras.
Oscilações de mercado e recuperação de preços
O mercado de soja em Mato Grosso atravessa um momento de contraste em relação ao início do ano. Após um período de cotações pressionadas pela elevada oferta e estoques acumulados, o preço da saca reagiu significativamente no terceiro trimestre de 2026. Em 30 de setembro, o valor atingiu R$ 140,85, o maior patamar registrado nos últimos dois anos, superando o cenário de baixa do primeiro semestre, quando o indicador chegou a operar abaixo de R$ 100,00.
Essa valorização foi impulsionada pela demanda das indústrias de esmagamento, que absorveram parte da oferta interna. Com a melhora nos preços e a redução da disponibilidade da safra 25/26, os produtores intensificaram a comercialização, movimentando os contratos das safras 25/26 e 26/27. No âmbito internacional, contudo, o cenário é de cautela: o prêmio em Santos e os contratos futuros em Chicago registraram quedas recentes, influenciados pela oferta elevada da safra norte-americana e pela realização de lucros por parte dos investidores.
Desafios climáticos e o impacto do El Niño
Além das variáveis de mercado, o setor agropecuário enfrenta o desafio imposto pelo fenômeno El Niño para a safra 26/27. A Embrapa, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), tem alertado para a necessidade de estratégias adaptadas a cada região. Enquanto o sul de Mato Grosso do Sul pode enfrentar excesso de chuvas, grande parte de Mato Grosso e Goiás lida com o risco de seca, irregularidade hídrica e ondas de calor, especialmente entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Para mitigar esses riscos, especialistas recomendam o uso rigoroso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), a escolha de cultivares adaptadas ao calor e a manutenção da cobertura do solo. O investimento em tecnologia e o escalonamento da semeadura são vistos como pilares para garantir a produtividade, mesmo diante de condições meteorológicas adversas. A Embrapa disponibiliza orientações técnicas detalhadas para auxiliar os produtores a gerir esses riscos climáticos de forma eficiente.
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