Vereador é sequestrado, mantido em cativeiro, tem Hilux incendiada e quadrilha acaba presa após megaoperação no Vale de São Domingos


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JB News

Por Emerson Teixeira

O vereador de Vale de São Domingos, Sann Handy de Oliveira Vieira, conhecido como Saranguê, viveu horas de terror na madrugada desta terça-feira (21), ao ser rendido por uma quadrilha armada durante um assalto em uma propriedade rural do município, localizado a cerca de 491 quilômetros de Cuiabá. O parlamentar foi sequestrado pelos criminosos e levado para um cativeiro, onde permaneceu amarrado até ser localizado com vida por equipes da Polícia Militar durante uma força-tarefa que mobilizou unidades especializadas da região Oeste de Mato Grosso.

Segundo as informações apuradas, o objetivo inicial da ação criminosa era o roubo da caminhonete Toyota Hilux pertencente ao vereador. Após dominar a vítima, os assaltantes decidiram levá-la junto, numa estratégia que, segundo investigadores, teria como finalidade impedir uma reação imediata das forças de segurança e garantir tempo suficiente para a fuga da quadrilha.

Enquanto Saranguê era mantido em cárcere privado, os criminosos seguiram com a caminhonete em direção à região de Vila Bela da Santíssima Trindade. Pouco tempo depois, o veículo foi encontrado completamente destruído. A Hilux estava incendiada dentro de uma valeta, evidenciando uma tentativa dos criminosos de eliminar vestígios que pudessem auxiliar na identificação dos autores ou comprometer a investigação policial.

Assim que o desaparecimento do vereador foi comunicado, a Polícia Militar desencadeou uma grande operação envolvendo equipes da Rotam, da Força Tática de Pontes e Lacerda e de Jauru, além do efetivo local. As buscas foram realizadas em áreas rurais, estradas vicinais e rodovias da região, com bloqueios e abordagens a veículos suspeitos.

Durante a operação, os policiais conseguiram localizar o parlamentar ainda com vida. Saranguê estava amarrado em um cativeiro improvisado, de onde foi resgatado. Apesar do trauma e do susto, ele não apresentava ferimentos graves e recebeu atendimento após ser libertado.

As diligências continuaram ao longo da manhã e permitiram identificar toda a quadrilha responsável pelo crime. Inicialmente, dois suspeitos foram presos logo após o resgate da vítima. Com o aprofundamento das buscas em uma área de mata e o reforço das barreiras policiais nas rodovias da região, outros dois envolvidos também foram capturados, totalizando quatro presos.

As primeiras informações apontam que um motorista de aplicativo teria participado da ação criminosa, dando suporte logístico ao grupo. O grau de envolvimento de cada integrante ainda será esclarecido durante o inquérito policial.

A Polícia Civil assumiu as investigações e trabalha para reconstruir toda a dinâmica do crime. Os investigadores pretendem apurar se o grupo já vinha monitorando os hábitos do vereador, se o roubo da caminhonete era o único objetivo da ação ou se o sequestro fazia parte de um plano previamente elaborado para dificultar a resposta das forças policiais.

Também serão analisados os motivos que levaram os criminosos a incendiarem a Hilux, prática frequentemente utilizada por quadrilhas especializadas em roubos de veículos para destruir provas materiais e impedir a identificação por meio de impressões digitais, vestígios biológicos ou equipamentos eletrônicos.

O caso causou forte repercussão em Vale de São Domingos e em toda a região Oeste de Mato Grosso, principalmente pelo fato de a vítima ser um representante do Poder Legislativo municipal. A rápida resposta das forças de segurança foi decisiva para localizar o vereador com vida e impedir a fuga da quadrilha, que agora responderá por crimes como roubo qualificado, sequestro e cárcere privado, associação criminosa e outros delitos que poderão ser acrescentados conforme o avanço das investigações.

A Polícia Civil segue realizando oitivas, perícias e levantamentos para esclarecer todos os detalhes da ação criminosa, identificar eventual participação de outros envolvidos e verificar se o grupo possui ligação com organizações criminosas que atuam na faixa de fronteira entre Mato Grosso e a Bolívia.

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