“Vindo de onde veio, não é nenhuma novidade, esse povo sabem parar obras e buscar dinheiro em Brasília para obras que nunca saem do papel”, dispara Pivetta após Wellington prometer barrar Parque Novo Mato Grosso
JB News
Por Guilherme Augusto
A disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026 ganhou um novo capítulo nesta semana após o governador em exercício Otaviano Pivetta endurecer o discurso contra o senador Wellington Fagundes, que defendeu a paralisação das obras do Parque Novo Mato Grosso caso seja eleito governador. A declaração provocou uma reação imediata do chefe do Executivo estadual, que associou a proposta a uma prática antiga da política brasileira: a das obras que consomem recursos públicos, permanecem anos em execução e jamais são concluídas.
Sem economizar nas palavras, Pivetta afirmou que não se surpreendeu com a proposta apresentada pelo senador e insinuou que determinados grupos políticos possuem histórico ligado à manutenção de obras inacabadas.
“É a primeira vez que vejo alguém sugerir parar uma obra. E, vindo de onde veio, para mim não é nenhuma novidade, porque esse pessoal sabe parar obra, sabe manter obra parada. Sabe fazer gestão lá em Brasília para liberar dinheiro para obras que nunca saem do papel”, afirmou o governador durante evento de entrega de moradias em Cuiabá.
A troca de críticas começou depois que Wellington Fagundes afirmou que, se chegar ao Palácio Paiaguás, pretende interromper a construção do Parque Novo Mato Grosso e redirecionar os recursos para áreas como habitação, saneamento básico e infraestrutura urbana. O senador argumenta que o empreendimento não deveria ser prioridade diante das demandas sociais existentes no Estado.
A fala transformou o Parque Novo Mato Grosso em um dos principais temas do embate político entre situação e oposição. Considerado pelo governo como um dos maiores projetos estruturantes em andamento no Estado, o complexo está sendo construído para reunir espaços destinados a grandes eventos, feiras de negócios, competições esportivas, exposições agropecuárias, turismo, lazer e capacitação profissional.
Na avaliação de Pivetta, as críticas ignoram o papel estratégico que o empreendimento poderá desempenhar no desenvolvimento da região metropolitana de Cuiabá. Segundo ele, o projeto não foi pensado apenas como uma arena de entretenimento, mas como um vetor econômico capaz de gerar empregos, atrair investimentos e movimentar diversos setores da economia.
“O Parque Novo Mato Grosso é um instrumento de desenvolvimento que o Estado está dando de presente para a capital. Nós temos um aglomerado urbano com mais de um milhão de habitantes e que continua crescendo. Precisamos de um espaço adequado para lazer, esporte, turismo e negócios”, afirmou.
O governador destacou que o complexo deverá permitir que a população tenha acesso a eventos nacionais e internacionais sem precisar sair do Estado, além de abrigar iniciativas voltadas à educação profissional e à qualificação de mão de obra.
“Queremos que as pessoas tenham acesso a grandes eventos, que possamos fomentar negócios, gerar empregos e investir na educação profissional. Tudo isso faz parte do desenvolvimento que Mato Grosso precisa”, argumentou.
Durante a mesma entrevista, Pivetta também voltou a atacar aquilo que classificou como a “cultura da obra parada”, ampliando a crítica ao histórico de determinados grupos políticos.
“Eles sabem parar obra, sabem manter obra parada e sabem buscar dinheiro em Brasília para obras que nunca terminam, que nunca saem do papel. Isso o Brasil inteiro já viu acontecer. Aqui em Mato Grosso nós estamos fazendo diferente”, declarou.
A fala tem forte conteúdo político porque sugere que seus adversários dominam os caminhos para obtenção de recursos federais, mas estariam ligados a um modelo de gestão marcado por empreendimentos que se arrastam durante anos sem entrega efetiva à população. Embora não tenha citado diretamente Wellington Fagundes nesse trecho, a declaração ocorreu justamente em resposta às críticas feitas pelo senador ao Parque Novo Mato Grosso.
Pivetta também rebateu questionamentos envolvendo contratos temporários do Corpo de Bombeiros Militar. Segundo ele, houve exploração política de uma situação administrativa relacionada ao vencimento de aproximadamente 50 contratos. O governador afirmou que, ao tomar conhecimento do problema, determinou imediatamente a recontratação dos profissionais para evitar prejuízos ao atendimento da população.
“Primeiro que eu não falei isso que disseram. Segundo, eu tomei conhecimento de que estavam vencendo cerca de 50 contratos temporários. Quando soube da situação, mandei recontratar. Simples assim. O Corpo de Bombeiros presta um serviço fundamental aos mato-grossenses e esse serviço está cada vez melhor”, declarou.
Ao comentar o ambiente político, Pivetta ainda defendeu que os órgãos públicos sejam fiscalizados dentro das suas competências constitucionais e afirmou que a Assembleia Legislativa tem o dever de acompanhar as ações de todos os poderes e instituições.
Embora as eleições ainda estejam distantes, a discussão em torno do Parque Novo Mato Grosso mostra que a disputa eleitoral já começou nos bastidores. De um lado, Wellington Fagundes tenta transformar o custo e a prioridade da obra em tema de debate público. Do outro, Pivetta e o grupo liderado pelo governador Mauro Mendes apostam no discurso das entregas, dos investimentos estruturantes e da conclusão de grandes obras como marca da atual gestão.
O resultado é que o Parque Novo Mato Grosso deixou de ser apenas um empreendimento público para se tornar um dos principais símbolos da batalha política que deve dominar o cenário eleitoral mato-grossense nos próximos meses. Enquanto a oposição questiona a aplicação dos recursos, o governo sustenta que o projeto representa um legado para as futuras gerações e uma demonstração de que Mato Grosso escolheu investir em obras para concluir, e não para permanecerem eternamente nos canteiros.
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