Viva Maria celebra o bicampeonato da Espanha


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Olá, olá, olá, olá! Olé! A Espanha é a grande campeã da Copa do Mundo 2026 depois de vencer a Argentina na prorrogação. Com isso, ela chega agora ao segundo título mundial e certamente saberá honrar os 50 milhões de dólares que recebeu de prêmio, investindo cada vez mais na formação de seus jogadores, que, assim como conseguiram encher o pé e estufar a rede com o gol da vitória, podem agora, orgulhosamente, encher o peito. Ai, que coisa maravilhosa! Quanto a nós, depois de acompanharmos o parto que foi essa partida derradeira da Copa 2026, resta-nos refletir sobre a depressão pós-parto, ou melhor, pós-Copa. E, para isso, bora relaxar no divã da nossa amiga Lydia Rebouças, que é psicóloga, inclusive da Unipaz (Universidade da Paz), com sede em Brasília. Chega mais.

“Olá, Mara Régia, queridas e queridos. Que jogo, hein? Que jogo. Agora, cá para nós, a Espanha mereceu. Estava muito, muito boa, e foi muito bonito ver o Messi jogando junto com o Lamine Yamal, depois de todos termos visto aquela foto do Messi dando banho em um bebezinho que era o Yamal, quando o Messi tinha 20 anos, né? Que lindo esse reencontro dos dois nesse jogo final. Que bonita essa chance de nós estarmos juntos em mais uma Copa do Mundo.”

Pois é, uma Copa onde a Espanha sai bicampeã. Mas vamos lá, depois dessa jornada intensa de 11 de junho a 19 de julho, 104 jogos, 48 seleções, três países (Estados Unidos, México e Canadá)… Olha, nós não chegamos a entrar em campo, a não ser com os nossos nervos, mas, sinceramente, a gente merece um descanso. Agora, tem gente que mudou de tal forma a sua rotina de vida, de trabalho, enfim, que vai vivenciar, sim, um vazio um tanto quanto estranho, não é?

“Sim, Mara Régia, sim. Muitos de nós nos envolvemos demais de junho até ontem com todos os jogos da Copa, com a nossa seleção e com outras seleções também. Depois que o Brasil foi eliminado, nós passamos a torcer por algumas seleções. O goleiro Vozinha, de Cabo Verde, se tornou um xodó para a maioria de nós, brasileiros.

Então, é evidente que quanto mais energia cada um de nós colocou ao torcer por esses jogos da Copa, mais o vazio pode estar presente nesse momento, né? Então, é hora agora de a gente se perguntar para onde nós vamos jogar a bola da nossa vida, o que a vida de cada um de nós está pedindo para que a gente possa seguir chutando a bola da vida com entusiasmo e jogando bonito, compartilhando com os outros com respeito, sem violência, porque é isso que faz sentido.”

 Agora, Lydia, o que dizer desse luto de fim de festa, hein, querida?

“Todo final é também um luto, não é? Então, para muitas pessoas, esse final pode ser vivido como um luto e, como qualquer luto que a gente vive, não há julgamento nisso. É importante que cada um possa acolher a tristeza ou a dor que possa aparecer nesse momento. É na medida em que a gente acolhe que a gente vai dando conta de lidar com tudo isso, né?

E o Messi no final, o cansaço do Messi ali no gramado… a gente pode ver como um ídolo tombado, mas pode ver também o Messi como: ‘Meu Deus, que energia maravilhosa, que bonito ele estar jogando mais uma Copa com 39 anos de idade e continuando como um dos maiores jogadores de todos os tempos, né?’. Então, um ponto de vista é a vista de um ponto, e a gente pode olhar de uma forma mais ampla, reconhecendo tudo de bonito que houve nessa Copa.”

Sim, Lydia, é imperioso reconhecermos o Messi como um grande guerreiro, mas, sem dúvida, a tristeza refletida nos olhos dele quase me fez chorar. Falando nisso, queria até saber de você qual foi o momento dessa final de campeonato que mais encheu o seu coração, minha querida.

“A imagem que eu quero sugerir que possa ficar nos nossos corações é a imagem do show do intervalo do último jogo, né, Argentina e Espanha. No final do show do intervalo, as crianças de uma escola pública de Nova York cantaram uma música sobre o amor.

Então, nesse momento em que a gente está em um mundo tão bélico, que esse amor possa estar presente no coração de todos nós; que esse amor esteja presente nessa bola que cada um de nós chuta na sua vida privada e na nossa vida comunitária, na nossa relação consigo mesmo, com os outros e com a natureza. Então, vamos ficar com aquela imagem do ‘love’ bem grande ali no estádio, né? Porque é disso que todos nós mais precisamos.”

Sim. E a imagem do Pelé com aquele sorriso, eu acho que ela é a melhor tradução do que o esporte é capaz de fazer em nossas vidas, não é verdade?

“O esporte é algo extremamente saudável. O futebol, por exemplo, proporciona um aprendizado de jogar em equipe, de jogar juntos, de saber a importância do time, de que todos são importantes em um time. O esporte, quando a criança pratica desde cedo, vai ajudar essa criança a ter uma vida muito mais saudável em todos os aspectos, a não ficar tanto tempo na tela, a não ir pelo caminho das drogas. Então, que a Copa também possa ser uma inspiração para que nós possamos praticar mais esportes e viver uma vida mais saudável.”

 Sim, o esporte é de tal importância nas nossas vidas, não só na vida dos jogadores, que é capaz, inclusive, de nos fazer vencer a depressão. A propósito, eu queria que você definisse bem o que vem a ser a tristeza que muitos estão sentindo nesse momento, nesse pós-jogo de ontem, né? Que você fizesse a distinção do que é depressão para o que é tristeza.

“Vamos esclarecer um pouquinho o que a gente está chamando de ‘depressão após a Copa’, né? Porque assim: se você começou a segunda-feira sem ânimo para sair da cama, sem vontade de trabalhar, sem conseguir sair de casa… Sim, aí a gente poderia dizer que você pode estar com uma leve depressão pós-Copa. Mas, se você amanheceu muito triste na segunda e conseguiu fazer todas as coisas, isso não é depressão.

 O oposto da depressão é a vitalidade. Então, vamos distinguir essas coisas e, de qualquer jeito, cuidar da nossa existência para que a gente possa encontrar novos interesses agora, para que a nossa vida possa ser uma vida mais rica e para que nós possamos cuidar cada vez mais também das nossas crianças e jovens. Bola para frente, pessoal. Bola para frente.”

Sim, bola para frente, até porque ano que vem tem a Copa Delas. Viva Maria!




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