A produção de tomate em escala industrial no Brasil atravessa um momento de transformação tecnológica e logística. Para garantir matéria-prima com padrões rigorosos de qualidade e volume constante, gigantes do setor alimentício têm reestruturado toda a sua cadeia de suprimentos, desde a seleção genética das sementes até a agilidade no transporte do campo para a fábrica. O objetivo central dessa estratégia é a autossuficiência, reduzindo a dependência histórica de importações de pasta de tomate.
A ciência por trás da escolha da semente
O cultivo do tomate para processamento industrial exige precisão técnica. Segundo Ariel Grunkraut, CEO da Kraft Heinz, a escolha do híbrido ideal é o primeiro passo para o sucesso da safra e deve considerar as particularidades climáticas de cada região. Atualmente, a empresa mantém um portfólio com mais de 150 tipos de sementes, desenvolvidas em parceria com centros de tecnologia, como unidades especializadas na Califórnia, para serem adaptadas ao solo e ao clima brasileiros.
Essa seleção é feita em conjunto com produtores parceiros, que operam em cerca de 5 mil hectares dedicados a culturas como tomate, milho e pepino. Destes, 2,5 mil hectares são voltados exclusivamente ao tomate. A estratégia inclui o fornecimento de mudas prontas, o que confere maior segurança e previsibilidade ao agricultor. Produtores como Fábio Alves, que cultiva mais de 400 hectares, destacam que receber as mudas de viveiros certificados simplifica o manejo e garante uma produtividade que pode chegar a 130 toneladas por hectare.
Desafios climáticos e a logística de alta velocidade
Apesar do suporte tecnológico, o clima permanece como o principal fator de risco. O cultivo de tomate, realizado diretamente no solo, é suscetível a variações pluviométricas, especialmente durante o período de colheita. Chuvas fora de época podem comprometer a qualidade do fruto e dificultar a logística de retirada da lavoura. Além disso, a gestão de defensivos agrícolas específicos para a cultura é um pilar essencial para manter a sanidade das plantas e garantir a produtividade esperada.
Após a colheita, a operação entra em uma corrida contra o tempo. Para manter as propriedades físico-químicas necessárias — como cor, viscosidade e teor de açúcar —, o fruto precisa chegar à unidade de processamento em menos de seis horas. Na planta de Nerópolis (GO), o fluxo é intenso, recebendo uma média de 100 caminhões por dia. Esse rigor logístico é o que, segundo a companhia, permite a fabricação de produtos com padrão global.
Investimentos e o marco da produção nacional
Nos últimos cinco anos, o setor investiu mais de R$ 1 bilhão em tecnologia, modernização de processos e ampliação da capacidade industrial. Esse montante foi determinante para que, em 2025, o Brasil atingisse, pela primeira vez, a marca de produzir internamente toda a pasta de tomate necessária para a fabricação de seu ketchup. O resultado é um avanço significativo em relação ao cenário de uma década atrás, quando parte do insumo precisava ser importada.
A eficiência produtiva também tem sido otimizada sem a necessidade de expansão territorial desenfreada. A empresa estima um crescimento de 15% na produção para a safra atual, mantendo a área cultivada estável e reduzindo o consumo de água. Com uma produção anual estimada em 5 bilhões de tomates, a companhia tem conseguido diversificar seu portfólio, incluindo itens como o ketchup zero açúcar, que exige uma concentração maior de tomate para manter a consistência ideal sem o uso do adoçante tradicional.
O impacto dessa cadeia produtiva vai além dos números, refletindo-se no orgulho dos produtores rurais. Para quem dedica a vida ao campo, ver o fruto colhido na própria propriedade transformado em um produto de consumo em massa nas prateleiras dos supermercados é o reconhecimento de um trabalho que une tecnologia, resiliência e dedicação. Para acompanhar mais reportagens sobre o agronegócio e as inovações que movem a indústria brasileira, continue acompanhando o Play Notícias News, seu portal de informação relevante e atualizada.
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