A mecânica do crime de estelionato digital
A Polícia Civil de Mato Grosso realizou, nesta quarta-feira (7.10), a prisão em flagrante de uma mulher de 23 anos em Várzea Grande. A suspeita é acusada de ceder sua conta bancária para a movimentação de valores obtidos por meio de um golpe contra um idoso de 61 anos, residente em Macapá, no Amapá. O caso ilustra a crescente complexidade das fraudes financeiras digitais, que utilizam contas de terceiros para ocultar a identidade dos verdadeiros criminosos.
A investigação teve início após a vítima registrar um boletim de ocorrência no Amapá. O idoso foi induzido a realizar um Pix no valor de R$ 14 mil sob a promessa de adquirir um veículo anunciado em uma rede social. Após a transferência, o vendedor desapareceu e o negócio revelou-se uma fraude. A rastreabilidade do dinheiro levou as autoridades ao titular da conta de destino, localizada em Mato Grosso.
Cooperação policial e a localização da suspeita
Diante da identificação da conta bancária em Várzea Grande, a Polícia Civil do Amapá acionou a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil de Mato Grosso. O caso foi então encaminhado à Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande, que iniciou diligências ininterruptas para localizar a titular da conta.
A equipe policial logrou êxito em encontrar a mulher no bairro Jardim dos Estados. Em depoimento, a suspeita confessou ter recebido R$ 400 para ceder os dados de acesso à sua conta bancária. Segundo o relato, a negociação foi realizada com um indivíduo que utilizava o Instagram para anunciar a compra de contas de terceiros, uma prática comum para viabilizar a lavagem de dinheiro proveniente de crimes cibernéticos.
Consequências jurídicas da cessão de contas
A conduta da suspeita se enquadra no artigo 171, § 2º-A, inciso VII, do Código Penal, dispositivo incluído pela Lei nº 15.397/2026. A legislação pune severamente quem cede, seja de forma gratuita ou onerosa, conta bancária para o trânsito de recursos destinados ao financiamento de atividades criminosas ou provenientes delas. A mulher não teve fiança arbitrada e permanece à disposição da Justiça, aguardando audiência de custódia.
O delegado Ruy Peral, responsável pela investigação, fez um alerta importante sobre os riscos dessa prática. Segundo o delegado, muitos cidadãos acreditam que a simples cessão da conta não os torna criminosos, mas a realidade jurídica é diferente. “Você pode se tornar investigado por fraudes das quais sequer participou diretamente, mesmo sem intenção de lesar a vítima final”, enfatizou Peral, destacando que a responsabilidade civil e penal recai sobre o titular da conta.
O Play Notícias News segue acompanhando os desdobramentos deste caso e os esforços das autoridades no combate aos crimes virtuais. Continue conosco para se manter informado sobre as notícias que impactam a segurança pública e o cotidiano da sociedade brasileira.
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