“Nova cartada da defesa”: Carlinhos Bezerra faz terceira tentativa para adiar júri do duplo homicídio de Thays Machado e Willian César


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JB News

Por Emerson Teixeira

A poucos dias de enfrentar o Tribunal do Júri, o empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, voltou a recorrer à Justiça para tentar impedir a realização do julgamento marcado para esta terça-feira (21), no Fórum de Cuiabá. Acusado pelo feminicídio da ex-companheira Thays Machado, de 44 anos, e pelo homicídio qualificado de Willian César Moreno, de 30 anos, ele apresentou um novo pedido de suspensão da sessão, o terceiro em menos de uma semana.

Na petição protocolada no domingo (19), a defesa sustenta que houve cerceamento do direito de defesa e pede que o julgamento seja remarcado. Entre os principais argumentos está a alegação de que os advogados não tiveram tempo suficiente para analisar um conjunto de aproximadamente 109 gigabytes de provas digitais, formado por imagens de câmeras de segurança, extrações de aparelhos celulares e outros elementos reunidos durante a investigação.

Segundo os defensores, esse material somente foi disponibilizado no dia 7 de julho, prazo que consideram insuficiente para a análise completa do conteúdo antes da realização do júri. A banca também afirma que encontrou dificuldades para acessar integralmente processos relacionados à prisão do acusado, sustentando que a indisponibilidade da chamada “árvore processual” compromete a elaboração da estratégia que será apresentada aos jurados.

Outro argumento levado à magistrada diz respeito à ausência de comunicação formal sobre procedimentos que tramitam em outras instâncias envolvendo a prisão preventiva do empresário. A defesa também questiona a inexistência de revisão periódica da custódia cautelar, apontando supostas irregularidades processuais que, na avaliação dos advogados, justificariam o adiamento da sessão por, no mínimo, dez dias úteis.

Até a tarde desta segunda-feira (20), a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, ainda não havia divulgado decisão sobre esse novo requerimento. Caso o pedido seja rejeitado, a previsão é de que o julgamento seja mantido para a manhã desta terça-feira, conforme o calendário definido pela Justiça. 

Esta é a terceira iniciativa da defesa para tentar modificar o andamento do processo às vésperas do júri popular. A primeira tentativa ocorreu por meio de um habeas corpus apresentado ao Superior Tribunal de Justiça, no qual os advogados pediram a transferência do julgamento para outra comarca ou até mesmo para outro estado. O argumento foi de que a grande repercussão do caso poderia comprometer a imparcialidade do Conselho de Sentença. O pedido, porém, acabou rejeitado pela Corte Superior. 

Na segunda investida, os defensores solicitaram a suspensão da ação penal para instauração de incidente de insanidade mental do réu. O requerimento foi fundamentado em laudos psiquiátricos particulares, avaliações psicológicas, exames genéticos e farmacogenéticos apresentados pela defesa. A magistrada, entretanto, entendeu que o pedido foi formulado fora do momento processual adequado, classificando a iniciativa como manifestamente tardia e com potencial protelatório.

Na decisão, a juíza destacou que não existiam elementos capazes de gerar dúvida razoável sobre a capacidade mental do acusado. Também observou que exames oficiais já haviam sido produzidos durante a investigação e que o próprio réu confessou a autoria dos crimes, circunstâncias que, segundo o entendimento judicial, afastavam a necessidade de uma nova perícia antes do julgamento. Com isso, a Justiça manteve inalterada a data do Tribunal do Júri. 

O processo apura o assassinato de Thays Machado e de Willian César Moreno, ocorrido em 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá. Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Carlos Alberto Gomes Bezerra monitorou os deslocamentos do casal desde o desembarque no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, até o momento do crime.

As investigações apontam que Thays foi surpreendida quando deixava a residência da mãe. Willian ainda tentou fugir dos disparos correndo pela calçada, mas acabou atingido pelas costas. Ambos morreram em decorrência dos tiros.

Após o duplo homicídio, Carlinhos Bezerra foi localizado e preso horas depois em uma propriedade rural situada no município de Campo Verde. Atualmente, ele permanece custodiado na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, depois que a Justiça revogou o benefício da prisão domiciliar que havia sido concedido anteriormente.

Inicialmente previsto para o início de julho, o Tribunal do Júri já havia sido remarcado para o dia 21 após a Justiça acolher um pedido da nova equipe de defesa para que tivesse acesso integral ao conjunto probatório reunido ao longo da investigação. Na mesma decisão, o sigilo da ação penal foi retirado, permitindo maior publicidade ao processo. 

Agora, às vésperas do julgamento, a Justiça volta a analisar um novo pedido de adiamento. Caso a solicitação seja novamente rejeitada, o empresário deverá ser submetido ao Conselho de Sentença para responder pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian César Moreno, em um dos julgamentos mais aguardados dos últimos anos em Mato Grosso.



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