Voepass: por que famílias só acessaram caixa-preta 2 anos após queda?
As conclusões do laudo abriram novas frentes de investigação. De acordo com o advogado, o documento levou a PF a convocar novas pessoas para prestar depoimento, desta vez na condição de investigadas, e não apenas como declarantes. Enquanto essas diligências não forem concluídas, o delegado responsável decidiu manter o material sob análise antes de incorporá-lo ao inquérito.
Os familiares tiveram apenas um acesso controlado ao conteúdo. Em vez de receber cópias dos documentos, os representantes das vítimas participaram de uma reunião na qual a transcrição foi exibida em uma tela pelo delegado responsável pela investigação. Durante o encontro, os investigadores leram e explicaram os trechos considerados mais relevantes dos minutos finais do voo.

A reunião cumpriu um compromisso assumido com as famílias. Segundo Katarinhuk, havia um acordo para que os parentes conhecessem o conteúdo da caixa-preta antes de sua divulgação pública e antes da juntada aos autos. Durante o encontro, os familiares chegaram a iniciar a audição das gravações, mas optaram por interromper o procedimento diante do impacto emocional e seguir apenas com a leitura da transcrição.
A divulgação ainda depende do fim do inquérito. A expectativa, segundo o advogado, é que, após colher os depoimentos pendentes, o delegado apresente o relatório final e anexe o laudo aos autos. Somente depois dessa etapa, a assistência da acusação pretende pedir o levantamento do sigilo para que o conteúdo possa ser acessado pelas demais partes e divulgado.
As conversas reforçaram uma das principais linhas da investigação. Conforme mostrou o UOL, a presidente da associação dos familiares, Fátima Albuquerque, afirmou que a transcrição indica que os pilotos mencionaram repetidamente a presença de gelo antes da queda da aeronave. A investigação apura, desde o início, se houve falha no sistema de degelo do avião e quais fatores contribuíram para o acidente.
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