O governo federal intensificou, neste final de semana, as ações de combate aos incêndios florestais que assolam o Amazonas. Com um salto expressivo de 271% no número de focos de calor nos primeiros dez dias de outubro, em comparação ao mesmo período de 2025, a situação exigiu uma resposta coordenada entre esferas estaduais e federais para conter o avanço das chamas e minimizar os danos ambientais e à saúde pública.
Mobilização de aeronaves e brigadistas
Para reforçar a logística de combate, a Força Aérea Brasileira (FAB) mobilizou dois aviões KC-390, que se somam a outras quatro aeronaves Air Tractor e dois helicópteros já em operação na região. A chegada desses equipamentos a Manaus, prevista para este domingo (11), marca um esforço para ampliar a capacidade de lançamento de água em áreas de difícil acesso. Atualmente, 290 brigadistas federais atuam diretamente na linha de frente, sob a supervisão do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Reconhecimento de emergência e suporte financeiro
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, esteve no Amazonas no último sábado (10) para alinhar as estratégias de contenção. Na mesma data, a pasta reconheceu formalmente a situação de emergência decretada pelo governador Roberto Cidade em 36 municípios. Esse trâmite jurídico é fundamental para destravar o fluxo de verbas federais destinadas ao socorro imediato e à reconstrução de serviços essenciais nas áreas mais afetadas.
Historicamente, o suporte financeiro tem sido constante. Desde 2024, o governo federal destinou R$ 45 milhões ao estado por meio do projeto ProAmazon, focado na estruturação do Corpo de Bombeiros Militar. Desse montante, R$ 34,7 milhões já foram aplicados na aquisição de viaturas e equipamentos de proteção, enquanto cerca de R$ 10 milhões seguem disponíveis para novas demandas emergenciais.
Cooperação interestadual e impacto da fumaça
A crise ambiental no Amazonas também gerou uma rede de solidariedade entre estados. O governo de São Paulo enviou uma equipe composta por 25 bombeiros militares e cinco especialistas da Defesa Civil, que partiram neste domingo para somar esforços aos agentes locais. A cooperação visa não apenas o combate direto ao fogo, mas também a proteção do patrimônio e da biodiversidade local.
O governador Roberto Cidade ressaltou que a densa camada de fumaça que encobre a capital e o interior do estado não é fruto exclusivo das queimadas locais. Segundo o gestor, o transporte de poluentes provenientes de incêndios em outras unidades da federação agrava a qualidade do ar na região. O monitoramento contínuo, realizado pelo Censipam, indica que, dos 1.380 focos registrados em outubro, 1.186 estão localizados em áreas públicas, incluindo assentamentos federais, terras indígenas e unidades de conservação.
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