A política de Mato Grosso vive um momento de reconfiguração após o último pleito, consolidando nomes que agora ocupam posições estratégicas em Brasília. Entre os destaques, a eleição de Virgínia Mendes para a Câmara Federal chamou a atenção não apenas pela votação expressiva, mas pela dinâmica de sua campanha, realizada em sintonia direta com a trajetória política de seu marido, o senador Mauro Mendes. Com 102.120 votos, a parlamentar garantiu seu espaço na bancada mato-grossense, demonstrando capilaridade em todos os 142 municípios do estado.
A estratégia de campanha e a força eleitoral do casal Mendes
Virgínia Mendes, que disputou um cargo eletivo pela primeira vez, concentrou grande parte de sua força eleitoral nos dois maiores colégios eleitorais de Mato Grosso. Em Cuiabá, a deputada obteve 38.193 votos, enquanto em Várzea Grande somou 10.709. A estratégia de colagem à imagem do marido, que foi eleito senador com mais de 1,1 milhão de votos, provou-se eficaz para garantir a quinta maior votação entre os deputados federais do estado. O casal Mendes, a partir de fevereiro, passa a atuar de forma coordenada no Congresso Nacional, com mandatos de diferentes durações: quatro anos para Virgínia e oito anos para Mauro.
Desempenho dos deputados federais e a ascensão de Coronel Assis
Além da família Mendes, a Câmara Federal viu a ascensão de outros nomes que consolidaram votações expressivas. Coronel Assis (PL) destacou-se com 128.697 votos, um crescimento de 170% em relação ao pleito anterior. O ex-comandante-geral da Polícia Militar obteve sua maior votação em Cuiabá e Várzea Grande, totalizando 55.766 votos apenas nestes dois municípios. A performance de Assis, que migrou para o PL, é apontada por analistas como um reflexo da força do bolsonarismo no estado e de uma estratégia de alinhamento partidário bem-sucedida.
Outro nome de peso que garantiu seu terceiro mandato é Fábio Garcia (União). Com 139.777 votos, o parlamentar, que já ocupou a chefia da Casa Civil, manteve sua base sólida em todo o estado. Garcia, que obteve a terceira maior votação para a Câmara, consolidou-se como uma das lideranças mais influentes do partido, mantendo votações consistentes em cidades como Rondonópolis e Campo Verde, além de sua base na capital.
O papel dos ex-prefeitos e a disputa por cargos no TCE-MT
O cenário estadual também foi marcado pelo desempenho dos ex-prefeitos que tentaram migrar para a Assembleia Legislativa. Dos 15 candidatos com esse perfil, apenas seis superaram a marca de 15 mil votos, sendo que apenas três lograram êxito: Léo Bortolin, Alcino Barcelos e Adelcino Lopo. O resultado reflete a dificuldade de transição de lideranças municipais para o legislativo estadual, onde a concorrência por votos é pulverizada e exige uma estrutura de campanha robusta.
Paralelamente, os bastidores do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) continuam agitados. A desistência da aposentadoria do conselheiro Waldir Teis, aos 73 anos, interrompeu as movimentações de bastidores que já ocorriam em torno da sucessão da vaga. O cargo, que possui prerrogativa de desembargador, é alvo de disputa política, com nomes como o de Eduardo Botelho sendo ventilados no meio legislativo, gerando debates sobre a politização de órgãos técnicos de controle.
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