MATO GROSSO

Estudantes do campo em MT criam pomadas com vegetação do Cerrado

Escola do campo em Mato Grosso transforma plantas do Cerrado em pomadas terapêuticas por meio de projeto financiado pela Fapemat.

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  • Na Escola Estadual de Campo Heronides Araújo, situada em Barra do Garças, os saberes tradicionais e a rica biodiversidade do bioma regional…
  • Por meio do projeto Pomadas Fitoterápicas do Cerrado Mato-Grossense, os estudantes investigam de perto o uso de espécies nativas na fabricação de…
  • A iniciativa pioneira conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), viabilizando laboratórios e insumos…
Estudantes do campo em MT criam pomadas com vegetação do Cerrado
Assessoria / Seduc-MT

Na Escola Estadual de Campo Heronides Araújo, situada em Barra do Garças, os saberes tradicionais e a rica biodiversidade do bioma regional se transformaram em potentes ferramentas de investigação científica. Por meio do projeto Pomadas Fitoterápicas do Cerrado Mato-Grossense, os estudantes investigam de perto o uso de espécies nativas na fabricação de seis tipos distintos de produtos naturais, unindo a sabedoria popular herdada de seus familiares ao rigor do método científico. A iniciativa pioneira conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), viabilizando laboratórios e insumos para a comunidade acadêmica.

Diversidade de fórmulas e cuidados voltados à saúde

Sob a supervisão da equipe pedagógica, a produção vai muito além de uma simples oficina prática. Segundo o diretor da instituição, professor Eugênio Marcos de Sousa, as formulações englobam finalidades variadas que atendem tanto aos cuidados estéticos com a pele quanto a demandas cotidianas de bem-estar. Os alunos desenvolvem preparações específicas para aliviar desconfortos musculares, garantir proteção eficaz contra insetos e fórmulas inspiradas em remédios caseiros tradicionais para o trato respiratório.

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O processo de fabricação também contempla cuidados capilares avançados e pomadas voltadas à cicatrização de feridas leves. Para estruturar esses fitoterápicos, a comunidade escolar utiliza partes estratégicas das plantas locais, como folhas e estruturas subterrâneas, combinadas com cera de abelha na base da composição. Essa escolha de ingredientes reforça a sustentabilidade e o aproveitamento responsável dos recursos fornecidos pelo ecossistema do entorno.

Valorização dos saberes tradicionais na rotina escolar

Localizada a cento e dez quilômetros do centro urbano, a escola do campo assume um papel central na preservação da identidade cultural local. Para o diretor Eugênio, mais do que absorver conteúdos teóricos, os jovens percebem o valor real dos conhecimentos que já circulam em suas famílias e comunidades. A proposta pedagógica demonstra como a ciência acadêmica pode dialogar diretamente com a ancestralidade e a cultura regional, fortalecendo o senso de pertencimento e orgulho entre os moradores da zona rural.

Essa troca constante transforma o ambiente escolar em um polo vivo de pesquisa e inovação tecnológica adaptada à realidade comunitária. Os estudantes passam a enxergar a própria região não apenas como um espaço de subsistência, mas como um celeiro de descobertas passível de valorização científica internacional e de desenvolvimento sustentável em larga escala.

A condução das atividades práticas exige o envolvimento direto com disciplinas acadêmicas tradicionais, a exemplo da matemática. A professora Fabiane Borges de Souza aponta que o manuseio de pesos, cálculos exatos de gramas e mililitros, além do estabelecimento de proporções rigorosas, aproxima conceitos abstratos do cotidiano dos alunos, estimulando simultaneamente a autonomia, a criatividade, a responsabilidade e o espírito empreendedor da turma.

O impacto do projeto na visão dos estudantes

A repercussão da iniciativa entre os alunos evidencia o sucesso pedagógico e a relevância social da pesquisa desenvolvida na instituição. Yasmin Lorraine Queiroz Nero, estudante do oitavo ano, aponta que o projeto evidencia a verdadeira riqueza do bioma e demonstra como a flora local serve de estímulo para inovações dentro da sala de aula. Já Gabrielle Mutzenberg Moraes, que cursa o segundo ano do ensino médio, reforça a conexão direta entre a conservação ambiental e a promoção da saúde pessoal e coletiva.

Para Marcela Matos Luz Vieira, aluna do ensino fundamental, a vivência prática alterou completamente a percepção sobre o ambiente escolar, transformando-o em um espaço dinâmico de criação e descoberta. O engajamento coletivo reflete o acerto de políticas educacionais que incentivam o protagonismo juvenil por meio da investigação científica aplicada, preparando as novas gerações para desafios futuros com base na sustentabilidade.

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