O debate político em Mato Grosso ganhou novos capítulos após declarações contundentes do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), direcionadas à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Durante um ato político realizado no domingo (18), o chefe do executivo municipal voltou a criticar a instituição de ensino superior e afirmou que a postura dos próprios estudantes contribui diretamente para manchar a reputação do campus.
As falas recentes aprofundam o atrito institucional entre a gestão municipal e a reitoria da universidade, que já havia anunciado medidas jurídicas para responsabilizar o prefeito por declarações anteriores. O cenário evidencia um choque aberto entre diferentes correntes ideológicas dentro do ambiente acadêmico e no cenário político regional, mobilizando lideranças e estudantes.
Histórico de lideranças e contraponto político
Durante o evento de apoiadores do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), o prefeito argumentou que a comunidade acadêmica atual não tem valorizado adequadamente a trajetória histórica da instituição. Para ilustrar seu argumento, Abilio Brunini citou figuras públicas que passaram pelos bancos universitários antes de alcançar cargos de relevância estadual.
Entre os exemplos mencionados pelo prefeito estão o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), recentemente eleito senador, e o deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos). Segundo a avaliação do gestor municipal, esses nomes representam trajetórias de direita que destoam do perfil atual predominante nos corredores da UFMT.
Questionamentos sobre gestão e aplicação de recursos
Além de direcionar críticas ao comportamento do corpo discente, o prefeito questionou a condução administrativa da universidade e a atuação dos docentes em sala de aula. Para o político, a direção atual caminha para uma deterioração da imagem pública que afeta a credibilidade histórica da instituição perante a sociedade mato-grossense.
O prefeito também mencionou sua atuação parlamentar passada, afirmando que figurou entre os deputados federais que mais destinaram recursos financeiros para a instituição. No entanto, ele colocou em dúvida a eficácia e a transparência na aplicação dessas verbas públicas dentro do campus universitário.
Mobilização do PL Jovem e reação da reitoria
O embate ganhou tração após uma caminhada realizada na sexta-feira (16) por um grupo ligado ao PL Jovem dentro do campus. A iniciativa pretendia contrapor manifestações públicas de estudantes que haviam demonstrado apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar da adesão reduzida no ato da direita, Abilio Brunini elogiou a mobilização e classificou o grupo como um agente transformador. Em contrapartida, a reitora Marluce Aparecida condenou publicamente a estigmatização dos alunos e acionou a Procuradoria-Geral Federal para avaliar medidas legais cabíveis contra as declarações do prefeito.
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