MATO GROSSO

Conselho de medicina abre sindicância contra médico indiciado em Mato Grosso

CRM-MT abre sindicância para apurar conduta de médico indiciado por lesão corporal e falsidade ideológica após cirurgias plásticas em Barra do Garças.

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  • O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou uma sindicância interna para apurar a conduta do médico Lucas Danillo Moreira…
  • O profissional foi indiciado pela Polícia Civil após investigações apontarem complicações graves e sequelas permanentes em pacientes submetidas a cirurgias plásticas em…
  • O caso mobilizou autoridades de saúde e segurança pública no estado, trazendo à tona debates importantes sobre a fiscalização de procedimentos estéticos…
Conselho de medicina abre sindicância contra médico indiciado em Mato Grosso
Montagem / RepórterMT

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou uma sindicância interna para apurar a conduta do médico Lucas Danillo Moreira de Jesus. O profissional foi indiciado pela Polícia Civil após investigações apontarem complicações graves e sequelas permanentes em pacientes submetidas a cirurgias plásticas em Barra do Garças, município localizado a 511 km de Cuiabá.

A abertura do procedimento administrativo ocorreu logo após a conclusão do inquérito policial. O caso mobilizou autoridades de saúde e segurança pública no estado, trazendo à tona debates importantes sobre a fiscalização de procedimentos estéticos e a responsabilidade profissional na medicina.

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Investigação policial e laudos periciais

O inquérito conduzido pela Polícia Civil teve como base os relatos de quatro mulheres que passaram por intervenções como redução e levantamento das mamas, colocação ou substituição de próteses mamárias e lipoaspirações, realizadas principalmente em 2023. As pacientes descreveram quadros de dores persistentes, assimetrias e deformidades corporais significativas.

Laudos emitidos pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) confirmaram a existência de sequelas permanentes em dois dos casos analisados. Os exames apontaram comprometimento da função estética e alterações definitivas nas mamas e nos mamilos. Nos outros dois casos, os critérios técnicos dos peritos não permitiram configurar lesões corporais definitivas.

Suspeitas de falsidade ideológica e prontuários

Além das lesões físicas investigadas, a Polícia Civil apontou indícios de falsidade ideológica vinculados ao prontuário de uma das pacientes. Conforme apurado, uma das próteses mamárias rompeu-se durante o procedimento de retirada, mas o incidente não teria sido documentado no relatório cirúrgico oficial.

Apesar da constatação do rompimento, a perícia técnica não estabeleceu uma relação de causalidade direta entre esse dano específico ao implante e as dores crônicas relatadas posteriormente pela mulher. A documentação completa foi encaminhada ao Poder Judiciário para avaliação do Ministério Público de Mato Grosso.

Defesa do médico e posicionamento do CRM-MT

Durante o interrogatório policial, o médico negou qualquer tipo de negligência, imprudência ou imperícia na condução dos casos. O profissional argumentou que as intercorrências observadas decorrem de fatores biológicos inerentes a cada organismo, além das particularidades individuais do processo de cicatrização de cada paciente.

O profissional também declarou que prestou o devido acompanhamento pós-operatório e manteve-se à disposição para realizar eventuais intervenções reparadoras. Em nota oficial, o CRM-MT reforçou que a sindicância administrativa tramita sob sigilo legal e que o órgão colabora integralmente com o Ministério Público e com a Polícia Civil nas investigações.

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