A Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures) encerrou o pregão com preços mais altos para o algodão, refletindo o movimento do mercado internacional. A sessão foi marcada por ajustes técnicos e pela influência direta de fatores macroeconômicos globais que mexem com o setor agrícola.
Analistas apontam que o comportamento das moedas estrangeiras e o cenário energético exercem forte pressão sobre as commodities. Produtores e investidores acompanham de perto essas oscilações para mensurar a rentabilidade da safra e a competitividade da fibra no comércio exterior.
Impacto do câmbio nas cotações internacionais
A principal força que empurrou os contratos para cima foi a fraqueza do dólar frente a outras moedas globais. Como as commodities são cotadas na divisa norte-americana, a desvalorização torna o produto mais atraente para compradores estrangeiros, estimulando a demanda na bolsa de Nova York.
Os contratos com entrega em dezembro/2026 fecharam o dia a 80,88 centavos de dólar por libra-peso, registrando alta de 0,75 centavo, o que representa um incremento de 0,93%. Já os papéis com vencimento em março/2027 encerraram a 84,18 centavos, com avanço de 0,75 centavo ou 0,89%.
Petróleo e o equilíbrio frente às fibras sintéticas
Apesar do viés positivo proporcionado pelo câmbio, o mercado encontrou barreiras para ganhos mais expressivos. A queda nos preços do petróleo no mercado internacional atuou como um fator de contenção para as cotações do algodão.
A explicação reside na concorrência direta com os materiais sintéticos, como o poliéster, cujos custos de produção estão atrelados ao petróleo. Quando a energia fórtil barateia, as fibras artificiais ganham competitividade, limitando o potencial de valorização do produto natural.
Condições das lavouras e projeções globais
No aspecto fundamentalista, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) atualizou o panorama das plantações norte-americanas. Até o dia 18 de outubro, 35% das lavouras estavam em condições boas ou excelentes, enquanto 28% apareciam em situação regular e 37% em níveis ruins ou muito ruins. O levantamento anterior apontava 34%, 30% e 36%, respectivamente.
Em âmbito global, o Comitê Internacional do Algodão (Icac) projeta que a produção mundial da fibra alcance 25,817 milhões de toneladas na temporada 2026/2027. O volume representa uma retração em relação às 26,942 milhões de toneladas colhidas na safra 2025/2026, conforme dados revisados pela entidade.
Consumo e estoques mundiais de algodão
O consumo global da commodity caminha para atingir 25,999 milhões de toneladas na temporada 2026/2027, superando o patamar de 25,815 milhões registrado no ciclo anterior. As exportações mundiais foram estimadas em 9,708 milhões de toneladas.
Para os estoques finais da temporada 2026/2027, a expectativa é de encerramento em 17,638 milhões de toneladas. O montante mostra um leve recuo frente aos estoques de 17,821 milhões de toneladas contabilizados na safra 2025/2026.
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