O cenário financeiro do futebol brasileiro volta a ser movimentado por impasses contratuais e cobranças judiciais nos bastidores dos clubes. O Cuiabá protocolou junto à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), ligada à CBF, um pedido formal para cancelar o Plano Coletivo de Pagamento do Corinthians. A medida ocorre após novos atrasos no cumprimento do acordo financeiro estabelecido entre as equipes, gerando repercussão e cobranças por maior rigor regulatório no esporte nacional.
Novos atrasos e histórico de inadimplência
De acordo com a manifestação jurídica apresentada pelo clube mato-grossense, o time paulista descumpriu de forma reiterada as obrigações assumidas no parcelamento. O documento aponta que o Corinthians deixou de quitar a parcela que venceu em julho de 2026, além de não honrar o compromisso de zerar os valores pendentes até 31 de agosto. A situação agravou-se com o vencimento de mais uma parcela, que passou em branco sem a devida compensação financeira.
A diretoria do Dourado destacou ainda que o histórico de inadimplência inclui um atraso prévio registrado em outubro de 2025. Para a gestão mato-grossense, a manutenção do plano nas condições atuais prejudica diretamente os credores. Isso porque os débitos foram originalmente estendidos até abril de 2031, sem a incidência de juros ou a exigência de garantias reais por parte do devedor.
Pedidos de sanções e rigor na CNRD
Diante do cenário de descumprimento, a equipe auriverde exige o cancelamento imediato do acordo e o restabelecimento das condições originais da dívida. Essa medida envolveria o recálculo completo dos montantes devidos, aplicando correção monetária, juros moratórios e as multas previstas contratualmente. Atualmente, a pendência gira em torno de R$ 8 milhões.
O clube argumenta que a punição vigente, que impede o registro de novos atletas por seis meses desde julho, tem se mostrado insuficiente para assegurar a adimplência. Caso a CNRD decida manter o parcelamento, o Cuiabá apresentou solicitações alternativas. Entre elas estão a ampliação da proibição de registros para dois anos e a cassação do Certificado de Clube Formador da instituição paulista.
Posicionamento da diretoria e impacto financeiro
O presidente do clube, Cristiano Dresch, manifestou insatisfação com a lentidão na recuperação de valores devidos por outras equipes do país. O dirigente apontou que o Dourado possui aproximadamente R$ 45 milhões a receber referentes a negociações de atletas já concluídas, defendendo uma postura mais enérgica dos órgãos reguladores do futebol nacional para garantir a sustentabilidade financeira dos participantes.
Do outro lado, a diretoria do Corinthians emitiu nota oficial reconhecendo estar ciente da situação discutida na esfera da CNRD. O clube paulista informou que o caso é tratado como prioridade máxima dentro do processo de reestruturação administrativa em andamento, assegurando que esforços contínuos são aplicados para buscar soluções viáveis e regularizar as pendências financeiras.
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