O último debate antes do segundo turno das eleições de 2026, promovido pela TV Globo na noite da sexta-feira (23), adotou uma logística rigorosa de separação para evitar confrontos diretos entre os apoiadores dos candidatos. A emissora dividiu fisicamente os aliados de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas dependências do estúdio, buscando conter eventuais atritos nos bastidores do evento político.
Segundo relatos de autoridades que acompanharam o evento de perto, a produção montou três estruturas distintas para abrigar o público convidado. As plateias formadas pelos simpatizantes de Flávio e de Lula ficaram completamente isoladas umas das outras, tendo como barreira central uma área reservada exclusivamente para o trabalho dos profissionais de imprensa.
Logística nos bastidores e controle de tensão
A estratégia adotada pela emissora carioca surtiu efeito prático ao impedir bate-bocas e provocações generalizadas antes e depois do confronto televisivo, episódios que haviam marcado os bastidores de encontros anteriores durante a corrida presidencial. No entanto, a proximidade do pleito e os ânimos exaltados da reta final ainda permitiram momentos de forte tensão dentro e fora do palco.
Um dos episódios mais sensíveis ocorreu quando Flávio Bolsonaro se dirigiu a Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara, chamando-a pelo nome de sua filha. A mulher, que ocupava um lugar na plateia destinada à campanha de Lula, prontamente rebateu o candidato ao afirmar que “ela morreu”. A jovem foi vítima de uma bala perdida em 2021, e o senador atuou anteriormente como advogado de defesa de um dos suspeitos do caso.
Reações das plateias e momentos finais
A divisão espacial não eliminou completamente a pressão vinda dos assentos reservados aos convidados. Houve momentos de irritação e gritaria expressiva por parte da plateia ligada a Flávio Bolsonaro, sobretudo quando Lula optou por não utilizar todo o tempo de resposta disponível e acabou advertido pelo moderador do debate, situação que se repetiu mais de uma vez ao longo do programa.
Apesar dos momentos de exaltação, o comportamento do público manteve-se dentro de parâmetros controlados pela organização, limitando-se a rajadas pontuais de palmas para os respectivos candidatos e coros de oposição aos rivais. Conforme a transmissão se aproximava do encerramento, as equipes de campanha presentes no estúdio aproveitaram o desfecho para entoar cânticos de apoio aos presidenciáveis.
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