Uma abordagem policial realizada em maio deste ano serviu como ponto de partida para a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Na ocasião, agentes encontraram a quantia de R$ 40 mil em espécie no interior de um veículo ocupado pelos vereadores de Cuiabá Alex Rodrigues e Ilde Taques. O episódio ganhou relevo institucional e fundamentou o desdobramento das apurações sobre supostas irregularidades políticas.
De acordo com os levantamentos preliminares, a ocorrência foi registrada logo após os parlamentares deixarem um almoço realizado em uma chácara situada no distrito de Nossa Senhora da Guia, na capital mato-grossense. O local reunia diversos agentes públicos que articulavam os preparativos para a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, cenário que chamou a atenção das autoridades de segurança pública.
Articulação política e o encontro em chácara
O evento político que antecedeu a abordagem policial ocorreu em uma propriedade pertencente à família do vereador Dr. Miguel, também conhecido como Miguelzinho. Informações apuradas indicam que o encontro congregava parlamentares empenhados em consolidar apoios para a escolha da nova diretoria do Legislativo varzea-grandense, marcada para o período imediatamente posterior.
A reunião sob suspeita passou a integrar o escopo das investigações por indícios de alinhamento político voltado à obtenção de vantagens indevidas. O relatório gerado pelos agentes de segurança detalhou a movimentação no local, permitindo que os órgãos de controle mapeassem as conexões entre os parlamentares investigados e as estratégias adotadas para a disputa institucional.
Desdobramentos da operação e alvos investigados
A apuração culminou na deflagração da Operação Cathedra Venalis, mobilizando um contingente superior a 200 policiais para o cumprimento de dezenas de mandados de busca e apreensão. As diligências abrangeram diferentes municípios da região metropolitana, visando recolher provas documentais e eletrônicas que pudessem esclarecer o alcance do suposto esquema de corrupção.
Entre os alvos da ofensiva estão parlamentares de destaque na região, incluindo os dois vereadores cuiabanos que estavam presentes no veículo abordado meses antes. Durante o cumprimento das ordens judiciais em seus endereços, os agentes recolheram aparelhos celulares e materiais que agora passam por perícia técnica para aprofundar o entendimento sobre os fatos relatados no RepórterMT.
Repercussão e posicionamento dos parlamentares
Em entrevistas concedidas após a deflagração da operação, os vereadores Alex Rodrigues e Ilde Taques confirmaram a presença no almoço, mas refutaram veementemente qualquer envolvimento em práticas ilícitas. Ambos sustentaram que participaram apenas de um encontro social e colocaram-se à disposição dos órgãos fiscalizadores para prestar os esclarecimentos necessários.
Alex Rodrigues declarou que sua presença no local ocorreu por convite amigável, classificando o episódio como um desencontro de circunstâncias. Por sua vez, Ilde Taques reiterou que nenhuma conduta ilegal foi constatada pelas autoridades durante as diligências em sua residência, reforçando o compromisso com a legalidade e a transparência em suas atividades públicas.
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