Blairo Maggi defende nova rota para o Pacífico e afirma que corredor com a Bolívia abrirá mercados e reduzirá custos do agro
JBNews
Por Nayara Cristina
Do local Guilherme Augusto
A ampliação da infraestrutura logística entre Mato Grosso e a Bolívia voltou ao centro das discussões durante a audiência conjunta realizada na última sexta-feira (3), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em homenagem aos 50 anos da Lei Vicente Vuolo, considerada o marco jurídico que abriu caminho para a implantação da ferrovia estadual no Estado. Presente ao evento, o ex-governador, ex-senador e ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi, destacou que a integração com os países vizinhos representa um passo estratégico para o desenvolvimento econômico da região.
Ao comentar a importância da futura ligação terrestre com a Bolívia, Maggi afirmou que Mato Grosso ainda mantém uma relação comercial limitada com os países localizados a oeste do território brasileiro e defendeu que novos corredores logísticos podem transformar esse cenário.
Segundo ele, a aproximação econômica beneficia ambos os lados da fronteira ao estimular o comércio, ampliar mercados consumidores e facilitar o escoamento da produção agropecuária.
Blairo lembrou que, durante o período em que esteve à frente do Governo de Mato Grosso, buscou fortalecer as relações institucionais com a Bolívia justamente pela relevância estratégica da integração regional. Para ele, investimentos em infraestrutura significam muito mais do que obras rodoviárias ou ferroviárias, pois criam condições para geração de emprego, aumento da renda e fortalecimento das economias locais.
O ex-governador fez questão de esclarecer que atualmente não possui interesses empresariais diretos na região que será beneficiada pela futura ligação internacional. Segundo explicou, nem ele nem o Grupo Maggi desenvolvem projetos voltados para aquela área específica, embora familiares mantenham interesse em acompanhar a evolução dos investimentos.
Mesmo sem participação empresarial direta, Maggi afirmou enxergar a iniciativa como positiva para Mato Grosso. Na avaliação dele, quanto maior a integração econômica entre os países vizinhos, maior será o fluxo de mercadorias, investimentos e oportunidades de desenvolvimento.
A visão defendida por Blairo coincide com um projeto que vem sendo estruturado pelos governos brasileiro e boliviano para consolidar um novo corredor logístico internacional. A proposta prevê a implantação e pavimentação de aproximadamente 148 quilômetros de rodovia entre a fronteira brasileira, conectada à MT-199, em Vila Bela da Santíssima Trindade, e a Rodovia 10, na região de San Ignacio de Velasco, no departamento boliviano de Santa Cruz. O projeto foi formalizado por meio de um termo de intenção assinado entre o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Aliança do Setor Produtivo de Mato Grosso e o Governo Autônomo de Santa Cruz.
Além da pavimentação, a iniciativa contempla a criação de uma estrutura permanente de integração entre os dois países, incluindo a futura instalação de postos aduaneiros, fortalecimento da fiscalização de fronteira, harmonização dos procedimentos alfandegários e articulação institucional para viabilizar o fluxo internacional de cargas. O Ministério da Agricultura ficará responsável pela interlocução entre os órgãos públicos e privados e também buscará alternativas de financiamento junto a instituições como o BNDES.
Embora o projeto tenha avançado com a assinatura do acordo de cooperação, sua implantação definitiva ainda dependerá da elaboração dos projetos executivos, da obtenção das licenças ambientais exigidas pelos órgãos competentes de cada país e da execução das obras de infraestrutura previstas para ambos os lados da fronteira. Também serão necessárias autorizações para intervenções ambientais e a implantação das estruturas aduaneiras, etapas consideradas fundamentais para a operacionalização do corredor internacional.
Do ponto de vista econômico, especialistas apontam que Mato Grosso deverá ser um dos principais beneficiados pela nova rota. Atualmente, boa parte da produção agrícola e industrial do Estado percorre milhares de quilômetros até os portos do Atlântico, como Santos e Paranaguá. Com a consolidação do corredor Brasil-Bolívia, parte dessas cargas poderá seguir em direção aos portos do Oceano Pacífico, reduzindo distâncias, diminuindo custos logísticos, encurtando o tempo de transporte e aumentando a competitividade dos produtos mato-grossenses nos mercados asiáticos.
O corredor também deverá ampliar o comércio bilateral entre Brasil e Bolívia, facilitar o acesso da produção boliviana aos portos brasileiros do Arco Norte e estimular novos investimentos em armazenagem, transporte, agroindústria, comércio exterior e prestação de serviços ao longo do Oeste de Mato Grosso. A expectativa é que municípios da faixa de fronteira passem a receber novos empreendimentos privados, gerando empregos, renda e fortalecendo a economia regional.
As declarações ocorreram durante a cerimônia que homenageou Vicente Vuolo, considerado o pai da ferrovia em Mato Grosso. O encontro reuniu autoridades estaduais e federais para celebrar os avanços da logística no Estado, cujo primeiro trecho da ferrovia estadual entrou recentemente em operação. Para Blairo Maggi, a expansão da malha ferroviária, somada à criação de novos corredores rodoviários internacionais, representa uma estratégia capaz de consolidar Mato Grosso como um dos principais centros logísticos da América do Sul, reduzindo o custo do transporte, ampliando a competitividade do agronegócio e fortalecendo o desenvolvimento econômico das próximas décadas.
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