Denúncia de assédio, ameaças e suposta coação coloca policiais civis de Poconé sob investigação da Corregedoria
JB News
Por Emerson Teixeira
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso instaurou procedimento para apurar graves denúncias envolvendo dois policiais civis lotados na Delegacia de Poconé, município localizado a cerca de 105 quilômetros de Cuiabá. As acusações incluem supostos episódios de assédio sexual, perseguição, ameaças, abuso de autoridade, constrangimento e até a entrega de uma porção de entorpecente à vítima.
Conforme os documentos que embasam a investigação, os servidores citados são o investigador identificado pelas iniciais E.T.A. e o escrivão L.G.A.C.. Ambos passaram a ser alvo de apuração administrativa após o relato formalizado por uma mulher, que prestou depoimento à Corregedoria e registrou boletim de ocorrência detalhando os fatos.
Segundo a denunciante, um dos investigadores teria passado a demonstrar interesse pessoal por ela, realizando insistentes investidas de natureza sexual. Ainda de acordo com o relato, o policial teria comparecido repetidas vezes em frente à residência da mulher, comportamento que ela interpretou como perseguição e tentativa de intimidação.
A vítima também afirmou que enfrentou obstáculos para registrar uma ocorrência policial. Conforme seu depoimento, o servidor teria dificultado o atendimento na delegacia, comprometendo o acesso ao serviço público e levantando suspeitas de possível uso da função para interesses particulares.
Outro trecho considerado relevante pela Corregedoria descreve que, durante uma ida à unidade policial, uma terceira pessoa chegou ao local e se dirigiu diretamente ao investigador, sem sequer conversar com a denunciante, circunstância que passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos corregedores.
As acusações também alcançam um escrivão da mesma delegacia. A mulher afirmou tê-lo reconhecido por meio de fotografias constantes no sistema interno da Polícia Civil. Segundo seu relato, ele seria o policial que a teria ameaçado, lhe entregue uma pequena porção de cocaína e manifestado interesse em manter relações sexuais com ela.
Os fatos narrados são tratados como denúncias em fase de apuração e, até o momento, não representam conclusão sobre eventual responsabilidade administrativa, civil ou criminal dos servidores citados. A investigação busca esclarecer a dinâmica dos acontecimentos, verificar a consistência dos depoimentos e reunir elementos que permitam confirmar ou afastar as acusações.
A Polícia Civil informou oficialmente que o caso está sob responsabilidade da Corregedoria-Geral, órgão encarregado de apurar desvios funcionais praticados por integrantes da instituição. Conforme a corporação, todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis serão adotadas somente após a conclusão da investigação, respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos policiais mencionados.
Caso as denúncias sejam confirmadas, os envolvidos poderão responder administrativamente, com aplicação de sanções previstas no estatuto funcional da Polícia Civil, sem prejuízo da eventual responsabilização criminal e civil, conforme o resultado das investigações conduzidas pelas autoridades competentes.
Enquanto o procedimento permanece em andamento, a Corregedoria mantém a coleta de provas, depoimentos e demais elementos técnicos necessários para esclarecer os fatos e definir se houve, ou não, prática de irregularidades por parte dos servidores investigados. Até a conclusão da apuração, prevalece a presunção de inocência dos policiais citados.
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