“Não vamos fazer cabo de guerra; o objetivo é fiscalizar”, diz Demilson Nogueira em meio à disputa pelo comando da CPI da Educação na Câmara de Cuiabá
JB News
Por Nayara Cristina
A corrida pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades na Educação de Cuiabá abriu uma nova frente de disputa política dentro da Câmara Municipal. Em meio às denúncias de um possível rombo superior a R$ 80 milhões apontado pelo prefeito Abilio Brunini (PL) e às acusações de uma suposta “pedalada fiscal” superior a R$ 100 milhões feitas pelo ex-secretário municipal Amauri Monge, vereadores passaram a disputar espaço na fila de CPIs que aguardam análise e instalação no Legislativo.
A situação ganhou novos contornos após o vereador Demilson Nogueira protocolar seu próprio pedido de CPI voltado à Educação. O movimento ocorreu depois que a vereadora Maísa Leão já havia apresentado uma proposta semelhante, gerando discussões internas sobre qual requerimento teria prioridade para avançar. Nos bastidores da Câmara, o debate gira em torno da interpretação do regimento interno e dos critérios técnicos para definição da ordem de tramitação das comissões investigativas.
Nos bastidores do Legislativo, a disputa também envolve a definição sobre qual requerimento terá prioridade para avançar quando houver espaço para a instalação de uma nova CPI. A controvérsia gira em torno do momento em que os requisitos regimentais são preenchidos, especialmente a obtenção das nove assinaturas necessárias para a formalização do pedido. Embora a prioridade na tramitação possa influenciar qual proposta será analisada primeiro, a presidência da futura comissão não é automaticamente definida pelo autor do requerimento, sendo uma escolha que ocorre após a constituição formal da CPI e a definição de seus integrantes.
Durante conversa sobre o tema, Demilson afirmou que o requisito fundamental para a criação de uma CPI é a obtenção de nove assinaturas parlamentares e defendeu que o protocolo do requerimento representa o ato que formaliza o pedido. Segundo ele, a tramitação segue critérios regimentais e não deve ser tratada como uma disputa política entre vereadores. “A vereadora Maísa tem a sua pretensão de fiscalizar, nós também temos a nossa pretensão de fiscalizar. E nós não vamos fazer cabo de guerra. Se o objetivo é único, o objetivo é fiscalizar, nós podemos fiscalizar da mesma forma”, declarou.
Aliado do prefeito Abilio Brunini, Demilson sustenta que sua proposta busca aprofundar a apuração sobre contratos, compras e demais procedimentos da rede municipal de ensino. No entanto, ele reconhece que uma CPI precisa ter objeto específico e delimitado para atender aos requisitos legais. Ao comentar denúncias envolvendo kits odontológicos e outras aquisições da área educacional, o vereador afirmou que esses temas podem ser alcançados pelas investigações, desde que estejam vinculados ao foco definido pela comissão.
A movimentação ocorre em um momento de forte pressão sobre a gestão da Educação municipal. Além das denúncias envolvendo compras de materiais e livros, a administração também tenta esclarecer questionamentos sobre despesas herdadas e contratos firmados na gestão anterior. O cenário transformou a Educação no principal campo de embate político da atual legislatura e elevou a disputa pela instalação das CPIs a um dos temas centrais da Câmara de Cuiabá.
Enquanto vereadores discutem quem terá prioridade para conduzir as investigações, cresce o entendimento de que a Casa precisará encontrar uma solução para evitar sobreposição de objetos e garantir a continuidade das apurações. Com uma fila de pedidos de CPI já formada e outras propostas aguardando espaço para avançar, a tendência é que a definição sobre a Educação se torne mais um capítulo da intensa disputa política que marca o Parlamento cuiabano neste primeiro semestre de 2026.
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