Primeira ferrovia estadual do Brasil será inaugurada neste sábado, coloca Mato Grosso no centro da logística nacional e transforma Dom Aquino em novo polo de desenvolvimento
JB News
Por José Teixeira
Mato Grosso está prestes a viver um dos momentos mais importantes de sua história econômica. Neste sábado20 de junho, o Governo do Estado participa da inauguração do primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, a primeira ferrovia construída a partir de autorização de um governo estadual no Brasil, um projeto que promete redesenhar a logística, impulsionar investimentos bilionários e consolidar o protagonismo mato-grossense no agronegócio nacional.
A cerimônia será realizada em Dom Aquino, às margens da BR-070, município que passa a ocupar posição estratégica dentro do novo corredor logístico estadual. A cidade receberá um dos principais terminais ferroviários da nova malha, transformando uma região tradicionalmente agrícola em um importante centro de distribuição e escoamento da produção.
Ao convocar a população para a inauguração, o governador Otaviano Pivetta (Republicano), classificou o empreendimento como um marco histórico para Mato Grosso.
“Vamos inaugurar a primeira ferrovia estadual do Brasil. Dom Aquino, que é uma pequena cidade, passa a ter um dos maiores centros logísticos do país. É Mato Grosso seguindo no rumo do desenvolvimento. Não podemos parar”, afirmou.
A obra representa a concretização de um projeto aguardado há décadas pelo setor produtivo mato-grossense. Desde a chegada da Ferronorte a Rondonópolis, em 2013, produtores, empresários e lideranças políticas defendiam o avanço dos trilhos para regiões mais próximas das áreas produtoras.
Agora, esse sonho começa a sair definitivamente do papel.
A Ferrovia Estadual de Mato Grosso possui um traçado previsto de aproximadamente 743 quilômetros. Quando concluída, ligará Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, passando por 16 municípios e incluindo um ramal estratégico para Cuiabá. O projeto é considerado o maior investimento privado em infraestrutura logística atualmente em execução no país.
Somente a primeira fase, que está sendo entregue agora, exigiu investimentos próximos de R$ 5 bilhões. O trecho inaugural possui cerca de 162 quilômetros de extensão e conecta Rondonópolis ao terminal multimodal instalado na BR-070, em Dom Aquino.
Mas o impacto da ferrovia vai muito além dos números da engenharia.
Especialistas apontam que o principal benefício será a redução dos custos logísticos para o escoamento da produção agrícola. Atualmente, milhões de toneladas de soja, milho, algodão, farelo e proteínas animais dependem quase exclusivamente do transporte rodoviário para chegar aos terminais ferroviários de Rondonópolis.
Com a aproximação dos trilhos das regiões produtoras, milhares de caminhões deixarão de percorrer longas distâncias, reduzindo custos operacionais, consumo de combustível, desgaste das rodovias e tempo de transporte.
Na prática, isso significa mais competitividade para os produtores e maior eficiência para toda a cadeia produtiva.
Mato Grosso é hoje o maior produtor nacional de soja, milho e algodão. Também lidera a produção de carne bovina e ocupa posição de destaque na produção de etanol de milho, aves e suínos.
Porém, durante décadas, o crescimento da produção ocorreu em ritmo muito superior ao avanço da infraestrutura logística.
O resultado foi o aumento dos custos de transporte e gargalos que passaram a limitar o potencial de expansão econômica do Estado.
A nova ferrovia surge justamente para enfrentar esse desafio.
Além de facilitar o escoamento da safra, o empreendimento cria condições para atrair novas indústrias, centros de distribuição, armazéns, esmagadoras de soja, usinas de etanol, frigoríficos e empresas ligadas à transformação de matérias-primas.
O efeito econômico esperado não se limita aos municípios cortados pelos trilhos.
A ferrovia cria uma nova dinâmica regional, fortalecendo cidades que passarão a funcionar como polos logísticos, industriais e de serviços. Dom Aquino é um exemplo claro desse processo.
Com a instalação do terminal ferroviário, o município ganha relevância estratégica dentro do mapa econômico brasileiro. A localização privilegiada entre importantes corredores rodoviários e ferroviários deve atrair empresas de armazenagem, transporte, distribuição de insumos e processamento de produtos agroindustriais.
O projeto também gera impacto direto sobre o mercado de trabalho.
As estimativas apontam para a criação de dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos ao longo da implantação da ferrovia, movimentando setores como construção civil, transporte, engenharia, comércio, hotelaria, alimentação e prestação de serviços.
Outro fator relevante é a integração logística nacional.
A nova ferrovia se conecta à Malha Norte, operada pela Rumo, que já liga Mato Grosso ao Porto de Santos. Isso significa que a produção mato-grossense terá acesso mais rápido e eficiente aos principais mercados consumidores do Brasil e do exterior.
Na avaliação de especialistas do setor, o empreendimento inaugura um novo ciclo econômico para Mato Grosso.
A ferrovia não apenas reduz custos de produção. Ela aumenta a competitividade do Estado, fortalece a industrialização, amplia a capacidade de atração de investimentos e prepara Mato Grosso para sustentar seu crescimento nas próximas décadas.
A expectativa é que os próximos trechos avancem gradativamente em direção ao médio-norte do Estado, alcançando importantes polos produtivos como Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, consolidando um dos maiores corredores ferroviários do agronegócio brasileiro.
Mais do que uma obra de infraestrutura, a Ferrovia Estadual representa uma mudança de paradigma.
Depois de décadas dependendo quase exclusivamente do transporte rodoviário, Mato Grosso passa a construir uma nova matriz logística, capaz de acompanhar a força de sua produção e o tamanho de sua economia.
A inauguração do terminal de Dom Aquino simboliza exatamente isso: o início de uma nova era sobre os trilhos, em que a logística deixa de ser obstáculo e passa a ser uma das maiores vantagens competitivas do Estado.
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