Professor transforma “Lula é ladrão” em declaração de amor, é flagrado pela PM e terá de pintar muro em VG
JB News
Por Nayara Cristina
Homem de 58 anos disse ter comprado um spray vermelho para alterar a mensagem; após advertência, prometeu retornar com tinta branca para limpar o muro
Um professor de 58 anos foi abordado pela Polícia Militar depois de ser flagrado escrevendo em um muro de uma residência abandonada, em Várzea Grande. O caso ocorreu na quarta-feira (26) e ganhou repercussão após o vídeo da conversa com os policiais ser divulgado nas redes sociais.
No local, os militares encontraram a frase “Lula é ladrão” escrita no muro do imóvel. Durante a abordagem, o professor explicou que a inscrição já estava na parede e que decidiu completar a mensagem acrescentando, logo abaixo, a expressão “roubou meu coração”.
Com a intervenção, a frase passou a ter outro sentido: “Lula é ladrão, roubou meu coração”. Conforme o relato apresentado aos policiais, o professor viu a pichação, não gostou da mensagem original e comprou uma lata de spray vermelho para fazer o complemento.
A abordagem foi registrada em vídeo e divulgada nas redes sociais pelo sargento Dias. Nas imagens, o policial questiona o homem sobre o que havia ocorrido e confirma a versão apresentada por ele.
“Estava escrito ‘Lula é ladrão’. Aí o senhor foi lá embaixo, comprou um spray vermelho e colocou ‘roubou meu coração’. É isso?”, pergunta o militar.
O professor confirma que foi responsável apenas pela segunda parte da inscrição e explica que sua intenção era modificar o conteúdo político já existente. O responsável por escrever inicialmente “Lula é ladrão” não foi identificado.
Apesar da justificativa, o policial advertiu o professor de que escrever ou pintar sem autorização no muro de uma propriedade alheia pode configurar crime, independentemente da intenção ou do conteúdo da mensagem. O fato de o imóvel estar aparentemente abandonado não autoriza a realização de intervenções em sua estrutura.
A conduta está prevista no artigo 65 da Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. A legislação considera crime pichar ou, por outro meio, conspurcar edificação ou monumento urbano. A pena prevista é de três meses a um ano de detenção, além de multa.
Durante a conversa, o professor afirmou que não pretendia causar danos e aceitou reparar a pintura. Ele se comprometeu a retornar ao endereço no dia seguinte levando tinta branca para cobrir toda a inscrição existente no muro, incluindo a parte escrita anteriormente por uma pessoa ainda desconhecida.
Após assumir o compromisso de limpar o local, o homem foi liberado pelos policiais. Não foi informado se houve a lavratura de boletim de ocorrência ou de termo circunstanciado pela conduta.
O episódio chamou atenção nas redes sociais pelo caráter inusitado da alteração. Uma frase inicialmente utilizada como ataque político ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi transformada pelo professor em uma declaração de apoio, mas a intervenção terminou com advertência policial e a promessa de restauração do muro.
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