A Câmara Municipal de Várzea Grande enfrenta uma de suas maiores crises institucionais após a deflagração da Operação Cathedra Venalis pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado). A investigação apura um esquema de corrupção na administração pública municipal, com foco em supostos pagamentos de vantagens indevidas a parlamentares em troca de apoio na disputa pela Mesa Diretora, além de repasses periódicos voltados a comprar o silêncio de agentes públicos sobre irregularidades no Legislativo.
A gravidade da situação mobilizou autoridades estaduais e colocou sob escrutínio público a atuação de parlamentares locais e figuras ligadas à gestão municipal. As diligências buscam reunir novas provas para consolidar o inquérito sobre a suposta organização criminosa instalada no âmbito público, gerando forte repercussão política em Mato Grosso e chamando a atenção para a necessidade de transparência e rigidez na fiscalização dos poderes municipais.
Operação aponta articulação política e repasses suspeitos
Entre os principais pontos levantados pela apuração, 12 dos parlamentares investigados votaram pela recondução de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Casa. A exceção entre os alvos foi a parlamentar Rosy Prado (União), que optou por votar no oposicionista Lucas Chapéu do Sol (PL). O pleito interno anterior terminou com uma margem apertada de apenas um voto, refletindo o acirrado cenário político local.
Posteriormente, o STF (Supremo Tribunal Federal) anulou a votação por entender que houve antecipação excessiva do processo. Uma nova eleição ainda não foi pautada pelo comando da Casa, mantendo o clima de instabilidade institucional. Além dos legisladores locais, a operação cumpriu mandados contra figuras ligadas à gestão municipal e parlamentares de Cuiabá que teriam participado de reuniões com o grupo investigado.
Denúncia detalha suposto confinamento e reuniões estratégicas
Em maio, uma denúncia anônima protocolada junto ao Gaeco detalhou a criação de um suposto quartel-general da corrupção para garantir o resultado da eleição da Mesa Diretora. Segundo o documento apurado na época, a articulação era liderada pelo presidente da Casa, Wanderley Cerqueira. O plano consistia em manter 12 vereadores em regime de isolamento sob escolta em uma chácara localizada no distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá.
A propriedade pertence ao vereador Dr. Miguel (Cidadania) e o isolamento servia para aguardar a data da sessão que definiria o comando do Legislativo. A denúncia repassada ao Ministério Público também alertou para a circulação de um grande volume de dinheiro em espécie no local, supostamente destinado à compra de votos para consolidar a base de apoio político.
Interesses na administração e desdobramentos da crise
Além da disputa pela presidência da Câmara, o documento apontava que o objetivo da organização ia além da mesa diretora. O plano do grupo envolvia forçar a cassação da prefeita Flávia Moretti (PL) para assumir o controle total do município, com foco estratégico em um pré-acordo voltado para a bilionária privatização do DAE (Departamento de Água e Esgoto). As investigações seguem em curso para apurar todas as responsabilidades e eventuais crimes cometidos.
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