Wellington diz que Pivetta “atacou primeiro”, pede cassação da candidatura e leva disputa à Justiça


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JBNews

Por Nayara Cristina

Senador justificou reação durante debate na Centro América FM, rebateu acusações sobre o Dnit e afirmou que o governador precisa responder às investigações em andamento

O senador e candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) afirmou que as duras declarações feitas durante o primeiro debate eleitoral, realizado na manhã desta terça-feira (18) pela Rádio Centro América FM, foram uma reação aos ataques iniciados pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Após o programa, o parlamentar confirmou que a disputa ultrapassou o campo político e chegou à Justiça Eleitoral, onde sua coligação busca contestar a candidatura do adversário.

Wellington classificou o debate como um momento democrático e defendeu a participação do maior número possível de candidatos. Segundo ele, cabe exclusivamente ao eleitor escolher quem comandará Mato Grosso, independentemente do poder econômico ou da estrutura política de cada campanha.

“Quanto mais candidatos, melhor, porque cada um pode colocar suas ideias. É o eleitor soberano que vai decidir secretamente. Não existe essa história de que o mais rico será eleito. Mais do que nunca, a população sabe quem tem propostas para cuidar de gente”, afirmou.

O senador disse que pretende construir um “governo humano” e fazer com que a riqueza produzida em Mato Grosso seja convertida em oportunidades para toda a população. Ele acusou o atual grupo político de concentrar os benefícios econômicos do Estado em uma “panelinha” e defendeu uma distribuição mais ampla dos resultados do crescimento mato-grossense.

Ao explicar o tom adotado durante o debate, Wellington afirmou que não escolheu Pivetta como inimigo político e que considera os demais candidatos concorrentes em uma disputa democrática. Segundo ele, porém, o governador teria iniciado os ataques ainda antes do confronto na emissora.

“Eu sempre disse que não elejo adversários, tenho concorrentes. Mas, infelizmente, o Pivetta começou atacando desde o início. Inclusive, disse que os concorrentes não estavam à altura”, declarou.

Wellington também criticou a política do governo estadual para os servidores públicos e prometeu abrir diálogo com as categorias e os sindicatos. Entre seus compromissos, citou o pagamento das Revisões Gerais Anuais (RGAs) que considera atrasadas e a manutenção das correções salariais em dia.

“Minha prioridade será conversar com o servidor público e com os sindicatos. Quero pagar a RGA atrasada e mantê-la em dia. Quem faz a arrecadação do Estado é o servidor público. Por isso, ele precisa ser valorizado e receber, pelo menos, a correção monetária, principalmente em um Estado que está com o caixa cheio de dinheiro”, afirmou.

Na área habitacional, o senador criticou a aplicação dos recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab). Wellington recordou que o fundo foi criado durante o governo Dante de Oliveira para financiar estradas e moradias, mas alegou que o Estado não estaria construindo casas na quantidade necessária.

Ele também sustentou que os produtores rurais estão sendo cobrados duas vezes, por meio da contribuição ao Fethab e das tarifas implantadas em rodovias estaduais concedidas à iniciativa privada. Wellington citou ainda as discussões envolvendo a possibilidade de cobrança de pedágio em uma estrada de acesso ao Pantanal, na região de Poconé.

“O povo não aguenta mais uma carga tributária tão grandiosa do governo federal e do governo estadual”, disse.

Em relação às acusações de Pivetta sobre sua atuação política no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Wellington afirmou que o governador repete uma estratégia utilizada durante a campanha de Pedro Taques. O senador recordou um antigo desafio para que ambos autorizassem a quebra de seus sigilos e alegou que compareceu ao cartório acompanhado da esposa e dos filhos, enquanto Pivetta não teria aparecido.

“Eu fui com a minha esposa e meus filhos, que eram menores na época. Assinamos a escritura pública e a imprensa ficou duas horas esperando por ele. Para o desafio, ele não foi. Então, que homem é esse, que fala, fala, fala e não prova?”, questionou.

Wellington confirmou que sua coligação ingressou na Justiça Eleitoral com um pedido para impedir a candidatura de Pivetta. O parlamentar relacionou o questionamento a um episódio envolvendo a aquisição de ambulâncias quando o republicano era prefeito de Lucas do Rio Verde, no contexto das investigações que ficaram conhecidas como “Máfia das Sanguessugas”.

As declarações representam a versão e as acusações apresentadas por Wellington Fagundes. A situação jurídica da candidatura de Pivetta dependerá das decisões da Justiça Eleitoral, e o governador tem direito de apresentar sua defesa e contestar as alegações.

Ao ser questionado se manteria uma postura de “paz e amor”, Wellington evitou prometer passividade diante dos ataques. Em vez disso, destacou sua atuação na área de infraestrutura e logística e defendeu o trabalho desenvolvido ao longo de seus mandatos para melhorar as rodovias federais de Mato Grosso.

O senador citou a duplicação da BR-163 entre a divisa de Mato Grosso do Sul, Rondonópolis e Cuiabá, além do trecho entre Posto Gil e Rosário Oeste. Wellington afirmou que essas obras foram resultado de anos de articulação política e mencionou a participação dos ex-parlamentares Jonas Pinheiro, J. Barreto e Memória.

Ele criticou, contudo, a solução adotada pelo Governo de Mato Grosso para assumir a concessão da BR-163 e questionou o empréstimo de aproximadamente R$ 5,5 bilhões contratado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo Wellington, a dívida acabará sendo paga pela população e terá reflexos sobre o próximo governo.

O candidato também citou apontamentos do Tribunal de Contas do Estado sobre a qualidade de rodovias estaduais. Segundo ele, existem denúncias de estradas que estariam “esfarelando” mesmo após receberem investimentos públicos.

“Quem vai pagar essa conta é o cidadão. Vai caber ao próximo governo. Existem denúncias muito graves sobre estradas esfareladas, e quem está constatando isso é o Tribunal de Contas”, declarou.

Wellington ainda reagiu às críticas feitas por integrantes do governo contra investigações realizadas durante o período eleitoral. Para o senador, candidatos e gestores públicos não podem utilizar a campanha como proteção contra apurações promovidas pelos órgãos de controle.

“Respondam à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal. As investigações da Polícia Federal estão em curso. Agora as pessoas vão se esconder nas campanhas eleitorais? Isso é inaceitável”, disparou.

Outro ponto levantado por Wellington foi uma investigação envolvendo suposto contrabando de mercúrio e exploração ilegal de áreas indígenas. O senador revelou que, durante o debate, mencionou propositalmente “iodo” para provocar uma resposta de Pivetta sobre o assunto. Ele acusou o governo de omissão diante da utilização criminosa de mercúrio em atividades de garimpo e alertou para os danos ambientais que podem atingir as futuras gerações. As acusações também dependem da apuração dos órgãos competentes.

O candidato do PL encerrou sua avaliação abordando a violência contra as mulheres. Wellington criticou os índices de feminicídio em Mato Grosso e afirmou que o Estado precisa atuar antes que as vítimas sejam agredidas ou assassinadas.

Como parte da estratégia preventiva, ele propôs capacitar agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias para identificar situações de violência e vulnerabilidade dentro das residências, principalmente nas regiões periféricas.

“Eu quero um Estado que trabalhe para prevenir. Os agentes visitam as casas todos os dias e poderão ser verdadeiros informantes sobre a situação real das famílias”, explicou.

No campo eleitoral, Wellington reafirmou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e vinculou sua campanha ao número 22. Ele também citou José Medeiros e Janaina Riva como candidatos ao Senado apoiados por sua coligação.

A entrevista após o debate mostrou que Wellington pretende combinar propostas sociais com uma ofensiva política e jurídica contra Pivetta. Embora tenha afirmado que não escolhe adversários, o senador deixou claro que responderá às acusações, cobrará explicações sobre as investigações envolvendo o governo e não deixará os ataques sem reação durante a campanha.



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